Sujeira do ar condicionado pode provocar problemas de saúde
Segunda feira, 19 Fevereiro 2018 13:35:10 -0000

Não existe alergia ao ar condicionado. O que acontece é que reações alérgicas são causadas pelo ar frio e seco ou pelos fungos e ácaros presentes no ar expelido pelo aparelho.  Problemas de alergia podem ser evitados com a limpeza do ar condicionado O ar condicionado é essencial para muita gente, mas é preciso alguns cuidados com o aparelho. Muitos problemas de saúde podem ser evitados com a limpeza correta do aparelho. Isso porque o ar condicionado pode provocar reações alérgicas, ressecamento da pele, sangramento do nariz e até irritação dos olhos e pulmões. Uma lei obriga que estabelecimentos públicos façam a limpeza dos filtros, como explicou o alergista e imunologista Marcelo Vivolo Aun no Bem Estar desta segunda-feira (19). O intervalo entre as limpezas vai depender do tamanho do lugar. A lei exige que se faça um controle da qualidade do ar, medindo a quantidade de partículas de sujeira com os aparelhos. De acordo com o alergista, não existe alergia ao ar condicionado. O que acontece é que reações alérgicas são causadas pelo ar frio e seco ou pelos fungos e ácaros presentes no ar expelido pelo aparelho. Ele pode desencadear a alergia ou apenas os sintomas, mas dificilmente o ar condicionado vai causar uma alergia em quem não tem. O clínico geral Carlos Eduardo Pompílio explica que algumas atitudes podem minimizar os sintomas dos alérgicos, como soro fisiológico e hidratação. Em casos de crises alérgicas, um antialérgico pode ser indicado. Idosos, crianças e alérgicos são mais suscetíveis a ter reações devido ao ar condicionado. Os idosos porque desidratam muito mais fácil e possuem um sistema imunológico mais fraco. As crianças porque o sistema imunológico ainda está em formação e por ter as vias aéreas muito pequenas, qualquer obstrução já é um incômodo grande. Veja quais cuidados tomar com o ar condicionado do carro


Cálcio está envolvido no surgimento da doença de Parkinson, diz estudo
Segunda feira, 19 Fevereiro 2018 13:15:47 -0000

Pesquisadores da Universidade de Cambridge demonstraram que mineral contribui para acúmulo de substância tóxica que leva à degeneração de células neurais.  Marcador de sinapse em neurônio. Cálcio "chama" substância tóxica para processo de comunicação entre células nervosas Janin Lautenschläger Excesso de cálcio nos neurônios também pode contribuir para o surgimento da doença de Parkinson, mostra estudo publicado na "Nature Communications" nesta segunda-feira (19). Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, demonstraram que o mineral permite que células neuronais se ligue à uma substância tóxica, a alfa-sinucleína. A hipótese é que a relação entre esses dois compostos provoque a morte dos neurônios. A alfa-sinucleína é uma proteína que, em excesso, está associada ao desenvolvimento da doença de Parkinson. Com técnicas de microscopia de alta resolução, cientistas também conseguiram entender um pouco melhor o papel dessa substância. Ela está envolvida nas ligações químicas que fazem com quê um neurônio se comunique com outro, já que eles não se tocam. A proteína também influencia o movimento de moléculas dentro e fora das terminações nervosas dos neurônios. A doença de Parkinson A descoberta do papel do cálcio Com a microscopia, cientistas conseguiram isolar um tipo de bolsa "sináptica". São nessas bolsas que os neurônios armazenam substâncias que vão permitir a comunicação entre uma célula e outra. Esses "comunicadores" são conhecidos como neurotransmissores. Nos neurônios, o cálcio desempenha um papel de liberação desses compostos. No entanto, o que os pesquisadores observaram é que, quando elevados, os níveis de cálcio acabam por puxar a "a alfa-sinucleína" para perto dessas bolsas de compostos. "Esta é a primeira vez que vimos que o cálcio influencia a forma como a alfa-sinucleína interage com as vesículas sinápticas", afirma Janin Lautenschl, primeiro autor do estudo e professor do Departamento de Biotecnologia de Cambridge, em nota. "Há um equilíbrio fino de cálcio e da alfa-sinucleína na célula, e quando há muito de um ou outro, o equilíbrio é quebrado, levando à doença de Parkinson", disse Amberley Stephens, coautor do estudo, em nota. Eles acreditam que esse desequilíbrio ocorre por causas genéticas ou pelo uso de medicamentos que alteram os níveis de cálcio no organismo. Cientistas não testaram se um aumento no consumo de cálcio necessariamente pode levar à condição. O que conseguiram verificar até agora é que o processo ocorre quando neurônios ficam mais sensíveis ao mineral: não se sabe ainda se pela maior concentração de cálcio ou se por uma alteração no funcionamento das células neuronais.


Marie e Pierre Curie e outras 3 grandes histórias de amor na ciência
Segunda feira, 19 Fevereiro 2018 10:44:55 -0000

A BBC conta as fascinantes histórias de amor de quatro casais cujos trabalhos marcaram a ciência. A física Marie Curie, primeira mulher a ganhar um Nobel Domínio público "Houve um momento que me marcou. Sim, esse momento foi o mais impressionante. Meu pai tinha acabado de morrer", me conta Elijah. "Ele morreu em casa, com a gente. Eram umas 8h da noite e minha mãe pediu para não deixarmos ninguém saber porque queríamos passar aquela noite com ele. Nessa noite, ela dormiu ao lado do corpo do meu pai". "Esse amor tão grande era algo que me custa imaginar. É que cada um era o centro do universo do outro", diz. Ruth Hubbard e George Wald: um amor secreto Elijah Wald é o filho de Ruth Hubbard e George Wald, cientistas que mudaram a forma como conhecemos a bioquímica. Ruth nasceu na Áustria, em 1924. Em 1938, pouco antes da invasão do país pelas tropas nazistas, ela e sua família judia tiveram de fugir do país. Nos Estados Unidos, ela estudou Biologia em Harvard. Foi na universidade onde conheceu seu futuro marido, Frank Hubbard. Logo depois de se casarem, Hubbard teve de deixar o país para lutar na guerra. Ruth conseguiu um trabalho como assistente de pesquisa no laboratório de Química de Harvard, que era liderado pelo professor americano George Wald. Ambos estavam profundamente intrigados com a fotoquímica dos globos oculares. Decidiram então pesquisar o assunto: foram horas e horas trabalhando juntos. Acabaram se apaixonando. "A história deles é muito bonita, mas um tanto complicada. A relação dos meus pais era secreta: ela tinha 19 anos e ele, 36. Ela era estudante e ele, seu professor", diz Elijah. O casal manteve essa relação "clandestina" por 14 anos. Depois, acabaram se divorciando de seus respectivos cônjuges e se casaram em 1958. "Eu nasci um ano depois, em 1959", conta Elijah, que depois ganhou uma irmã. O Nobel "Eles sempre estavam juntos, não apenas em casa. Caminhavam juntos até o laboratório e trabalhavam um ao lado do outro. Para mim era impossível imaginá-los separados", diz Elijah. Ruth e George trabalharam juntos durante 20 anos antes de que o prêmio Nobel batesse na porta deles. Em 1967, George recebeu o Nobel de Fisiologia e Medicina junto aos cientistas Haldan Keffer Hartline e Ragnar Arthur Granit. Eles foram premiados por suas "descobertas dos principais processos fisiológicos e químicos da visão e dos olhos", segundo o Nobel. Embora ninguém discuta que George era merecedor do prêmio, muitos especialistas consideram que Ruth também deveria estar entre os vencedores, pois ela teria sido a chave para elucidar como os olhos convertem a luz em informação. "Foi um trabalho dos dois", diz o filho, Elijah. Uma feminista Ruth publicou dezenas de estudos sobre a visão. Ela e o marido receberam a Medalha de Ouro Paulo Karrer por sua pesquisa sobre a rodopsina, uma das proteínas responsáveis pela visão. Elijah conta que nunca imaginou como essa "forte e comprometida feminista", sua mãe, seria afetada pela morte do marido. Ele morreu em 1997 e tinha 90 anos. "Ela pensava que quando meu pai morresse, sua vida iria continuar com mais ímpeto: iria a conferências, viajaria mais, escreveria mais livros. Mas quando meu pai morreu mesmo, ela não queria fazer mais nada. Ele era sua outra metade. Uma vez sozinha no mundo, foi muito difícil para ela continuar. Passaram-se quase cinco anos em que ela não fez quase nada. Retomou sua vida intelectual, mas não com a mesma força. Sua ambição não era mais a mesma", diz o filho. Ruth morreu em 1º de setembro de 2016, e não é lembrada apenas por suas contribuições científicas, mas por ser uma feminista crítica que desafiou os paradigmas masculinos na ciência e impulsionou o papel das mulheres nessa área. Marie e Pierre Curie: 'Ninguém poderia encontrar um companheiro melhor' Quando era estudante em Paris, a jovem polonesa Marie Sklodowska perguntou a um amigo se ele conhecia algum laboratório em que ela pudesse realizar experimentos. Seu amigo, que era professor de Física, pensou em seu colega Pierre Curie. O professor então organizou um encontro. Era 1894. Marie contou como foi o encontro com o amor de sua vida no texto "Marie Curie and the Science of Radioactivity" (Marie Curie e a Ciência da Radioatividade), escrito por Naomi Pasachoff e publicado pelo Instituto Americano de Física. "Quando entrei no quarto, Pierre Curie estava parado em pé entre as portas abertas de uma janela que se abria para uma varanda. Ele parecia muito jovem, embora tivesse 35 anos. Me impressionou a expressão aberta do seu rosto e um leve indício de desapego em toda sua atitude. Ele falava de forma lenta, sua simplicidade e seu sorriso me inspirararam confiança. Voltamos a nos falar na Sociedade de Física e no laboratório. Ele me perguntou se podia me visitar… Pierre Curie veio me ver e mostrou uma solidariedade sincera com minha carreira de estudante. Logo ele desenvolveu o hábito de me contar sobre seu sonho de uma existência inteiramente dedicada à pesquisa científica, e me pediu para compartilhar sua vida. Não foi, no entanto, uma decisão fácil para mim, pois significava a separação do meu país e da minha família. E também a renúncia a certos projetos sociais queridos para mim (...) Nosso trabalho nos aproximou cada vez mais, até que nos convencemos de que nenhum de nós poderia encontrar um parceiro de vida melhor". O casamento Em 26 de julho de 1895, Pierre e Marie se casaram em uma cerimônia na França. No lugar do tradicional vestido de noiva branco, Marie preferiu usar um vestido azul escuro. Ela explicou a decisão em uma biografia: "Não tenho um vestido a não ser o que uso todos os dias. Se você for me dar um de presente, por favor, que ele seja prático e escuro a ponto de eu poder usar para ir ao laboratório". A lua de mel do casal não foi nada suntuoso: eles decidiram viajar de bicicleta pelos campos da França. Tiveram dois filhos, Irene e Eve. Graças aos seus estudos sobre radiação, o casal ganhou o Prêmio Nobel de Física em 1903, junto ao cientista francês Henri Becquerel. "No começo, Marie não foi premiada. Mas quando Pierre soube da omissão, pediu para que ela fosse incluída entre os vencedores, de modo que ela se converteu na primeira mulher a ganhar um Nobel", diz a fundação responsável pelo prêmio. 'É o fim de tudo, tudo, tudo' Era um dia chuvoso de abril de 1906 quando Pierre morreu. Ele foi atropelado por uma carruagem quando andava pela rua. Em seu diário, Marie descreveu a "catástrofe" de perder seu "melhor amigo": "Não sentia capaz de enfrentar o futuro (depois da morte do marido)." "Nós colocamos seu corpo em um caixão no sábado pela manhã e segurei sua cabeça. Beijamos seu rosto frio pela última vez (...)" "Seu caixão foi fechado e nunca mais pude vê-lo. Não permiti que eles cobrissem seu corpo com uma tela preta. Coloquei flores e me sentei ao seu lado… Fecharam o túmulo e colocaram flores em cima. Era o fim de tudo, tudo, tudo". Cinco anos depois, Marie ganhou novamente o Nobel, dessa vez em Química. Sua dedicação à ciência duraria até os últimos dia de sua vida - ela sofria de leucemia, provocada por sua prolonga exposição à radiação. Morreu em 4 de julho de 1904. Helen e Alfred Free: o amor e o revolucionário teste de urina Quando liguei para a Helen Murray Free, que nasceu em 1923, o que mais me atraiu em nossa conversa foi o riso que ela deu quando perguntei sobre o momento em que se apaixonou por Alfred Free. "Me apaixonei no momento em que o conheci", me respondeu, falando de sua casa em Indiana, nos Estados Unidos. "Ele era meu chefe, e acabei me casando com meu chefe", disse, rindo. A entrevista Helen e Alfred Free se conheceram nos Laboratórios Miles, hoje conhecidos como Laboratórios Bayer, nos Estados Unidos. Helen havia se formado em Química na Universidade Wooster em 1944. Logo depois, conseguiu um emprego no laboratório Miles. Pouco depois começar a trabalhar no departamento de controle de qualidade, ela pediu a seus supervisores que a transferissem para a unidade de pesquisa. Dizia estar "entediada" com os testes de vitamina, segundo um artigo que escreveu na Sociedade Americana de Química. Em 1946, ela foi entrevistada por um reconhecido cientista que estava criando um novo laboratório de pesquisa em bioquímica. O cientista era o professor americano Alfred Free - ele se surpreender com o conhecimento de Helen. 'Ele era perfeito' Ao mesmo tempo em que a relação no trabalho se desenvolvia, a atração entre os dois cientista só crescia. "Nós achávamos que éramos muito discretos", lembra Helen, mas depois percebeu que os colegas sabiam que algo estava acontecendo entre eles. A cientista me contou que quando começou a trabalhar no laboratório, não pensava em se casar nem em ter filhos. "Eu era uma menina totalmente focada na carreira", disse. Mas, para ela, as qualidades de seu chefe eram impossíveis de ignorar. "Ele é incrivel, inteligente, articulado, e também muito generoso. Era perfeito", afirmou. Quando os dois se casaram, em 1947, a ciência era discutida em casa. "A gente conversava sobre trabalho, trabalho, trabalho. Passávamos 24 anos pensando em nosso trabalho. Ele me falava de suas ideias e eu contava as minhas. Passamos momentos maravilhosos", diz Helen. Eles tiveram seis filhos. Os inventores Na área da Química, o casal Free revolucionou as tiras de testes que fazem o diagnóstico de doenças como diabetes e detectam a gravidez de maneira mais simples, em casa. Elas são fitas de poucos milímetros de largura, impregnadas de substâncias químicas, que ao entrar em contato com compostos presentes na urina reagem a qualquer mudança patológica. Em 1956, lançaram no mercado nas primeiras tiras com reações colorimétricas e, em 2000, pouco depois da morte de Alfred (aos 87 anos), elas foram incluídas em uma Salão da Fama dos Inventores dos Estados Unidos. Esses testes não só tiveram um grande impacto nos exames de urina, mas também nos de sangue. Alfred Free publicou mais de 200 artigos científicos, muitos deles com sua esposa. O casal também escreveu livros que são considerados fundamentais para a pesquisa bioquímica. Isabella e Jerome Karle: o marido que não queria aceitar o Nobel de Química Quando Jerome Karle e Herbert Hauptman receberam o Prêmio Nobel de Química, em 1985, por "suas realizações notáveis ​​no desenvolvimento de métodos diretos para a determinação de estruturas cristalinas". Karle não estava inteiramente feliz com a notícia. "Ele não queria aceitar", disse sua filha, Louise Karle Hanson. Seu pai estava profundamente decepcionado porque sua esposa, Isabella Lugoski, não havia sido incluída na honraria. Os experimentos de Isabella ajudaram a provar a teoria molecular concebida por Jerome. "E minha mãe disse: é uma bobagem, vá em frente. Você deveria aceitar (o prêmio)", disse Louise em depoimento ao jornal The New York Times, que publicou um obituário sobre a importante cientista. Os estudos de Isabella sobre as estruturas moleculares e sobre a "extração e purificação de plutônio têm sido uma grande influência em muitos campos científicos", aponta The Atomic Heritage Foundation, uma organização sem fins lucrativos que se dispõe a preservar e interpretar o legado do Projeto Manhattan, programa liderado pelos Estados Unidos para desenvolver uma bomba atômica. Em uma autobiografia que Jerome escreveu para o Nobel, o cientista apontou que, durante toda a sua vida de casado, sempre teve "forte apoio" de sua esposa. Ele elogiou a carreira de sua parceira e reconheceu seus esforços para continuar suas próprias pesquisas científicas, além de ter criado três filhos. 'A primeira menina' Isabella e Jerome se conheceram na Universidade de Michigan em 1940. Ele estudou Biologia, e ela, Biologia. "Ele nunca tinha ido a uma escola com meninas. Ele cresceu no Brooklyn e, aparentemente, suas escolas primária e secundária só tinha meninos. Depois, era uma época que na universidade só havia homens. Por isso, eu brincava com ele de que fui a primeira mulher que ele conheceu", contou Isabella em uma entrevista de 2015. Eles se conheceram em um laboratório de química física, enquanto ele fazia um experimento. Pouco tempo depois, eles se casaram - Isabella tinha 20 anos. Jerome morreu em 2013, de câncer no fígado. Será lembrado como um dos cientistas que criaram uma ferramenta chave para o desenvolvimento de novos remédios.


Peixe fêmea da Amazônia se reproduz sem sexo e desafia teoria de extinção da espécie
Domingo, 18 Fevereiro 2018 21:09:06 -0000

Apesar de milhares de anos de reprodução assexuada, o genoma das molinésias da Amazônia é notavelmente estável ​​e a espécie sobreviveu. O pequeno peixe da Amazônia se reproduz de forma assexuada e desafia teoria de extinção da espécie Reuters A teoria da evolução sugere que as espécies que se reproduzem de forma assexuada tendem a desaparecer rapidamente, uma vez que seu genoma acumula mutações mortais ao longo do tempo. Mas um estudo sobre um peixe amazônico lançou dúvidas sobre a velocidade desse declínio. Apesar de milhares de anos de reprodução assexuada, o genoma das molinésias da Amazônia é notavelmente estável ​​e a espécie sobreviveu. Os detalhes do trabalho foram publicados na revista "Nature Ecology and Evolution". Há dois caminhos fundamentais pelos quais espécies se reproduzem – a forma sexuada e a assexuada. A reprodução sexuada depende de células especiais reprodutivas masculinas e femininas, como os óvulos e os espermatozóides, juntando-se durante o processo de fertilização. Cada célula sexual contém metade do número de cromossomos das células parentais normais. Depois da fertilização, quando o óvulo e o espermatozóide se fundem, o número normal do cromossomo celular é reintegrado. A reprodução assexuada é diferente. Uma vida nasce do celibato Em vez de criar uma nova geração misturando medidas iguais de DNA das mães e dos pais, a reprodução assexuada dispensa o macho e, em vez disso, cria novos descendentes contendo uma cópia exata do genoma da mãe – uma clonagem materna natural. Essa é uma maneira incrivelmente eficiente de criar uma nova vida. Ao não desperdiçar material genético na criação de machos, todos os descendentes nascidos a partir da reprodução assexuada podem continuar se reproduzindo. Mas há um ponto negativo. Como os descendentes são fac-símiles genéticos da mãe, eles apresentam uma variabilidade limitada. E a variabilidade genética pode proporcionar uma grande vantagem. É justamente o que permite que as populações respondam e superem as mudanças no meio ambiente e outras pressões seletivas, ao permitir a sobrevivência dos mais adaptados. A reprodução sexuada proporciona um grande espaço para gerar essa variabilidade genética, quando os pedaços de cromossomos individuais se recombinam assim que os óvulos e os espermatozóides se fundem e formam combinações únicas de cromossomos. Outra vantagem da reprodução sexuada é que as mutações nocivas, que se acumulam naturalmente ao longo do tempo, são diluídas e seus efeitos anulados durante essa mistura genética. Já os organismos que dependem da reprodução assexuada são propensos a perder essas vantagens. O professor Manfred Schartl, da Universidade de Würzburg, é um dos principais autores do estudo e diz: "As previsões teóricas eram que uma espécie assexuada passaria por decomposição genômica e acumularia muitas mutações ruins e, sendo clonada, não seria possível depender da diversidade genética para reagir a novos parasitas ou outras mudanças no meio ambiente." Molinésia da Amazônia pode ser um híbrido surgido após a reprodução entre duas espécies Science Photo Library "Havia previsões teóricas de que um organismo assexual desapareceria depois de cerca de 20 mil gerações". Nos círculos da biologia evolutiva, essa acumulação gradual e fatal de mutações mortais é conhecida como catraca de Muller, em homenagem ao cientista vencedor do prêmio Nobel Hermann Muller, que desenvolveu a teoria. Mas o último estudo sobre a estabilidade a longo prazo do genoma das molinésias da Amazônia lançou algumas novas descobertas surpreendentes sobre o potencial custo da reprodução assexuada. Derrubando as probabilidades Acredita-se que o peixe molinésia da Amazônia seja um híbrido surgido após a reprodução entre duas espécies de peixes aparentados – o molinésia do Atlântico e o molinésia de Sailfin. É um dos poucos animais vertebrados que se reproduzem de maneira assexuada. O molinésia fêmea da Amazônia pode se reproduzir apenas ao ser exposto ao esperma de uma espécie relacionada de molinésia, mas o DNA do espermatozoide geralmente não se aproxima dos descendentes. Para definir o impacto desse estilo de vida celibatário, a equipe de pesquisadores comparou as sequências do genoma de peixes molinésia da Amazônia aos coletados de vários locais, como o México e o Estado do Texas, nos EUA. Usando as sequências do genoma, a equipe de pesquisadores conseguiu construir uma árvore genealógica. A árvore mostrou que todos os peixes compartilharam o mesmo antepassado e que o peixe progenitor nadou em águas americanas há cerca de 100 mil anos. Sobrevivente persistente A molinésia da Amazônia sobrevive há cerca de meio milhão de gerações - muito além do que a teoria sugeria. Mas não foi só isso. Quando os cientistas procuraram indícios de decadência genômica a longo prazo, havia muito poucos, como o professor Schartl explicou: "O que encontramos é que esse peixe preservou seu genoma híbrido e o que sabemos da criação de plantas ou animais é que, quando tentamos fazer algo melhor, criamos um híbrido". E ele acha que é esse "vigor híbrido" que sustenta a sobrevivência persistente da molinésia amazônica. "O que a natureza tem feito é criar desde o início um bom híbrido, que prosperou". "É claro que há mutações, mas o que sentimos e que não foi levado em consideração é que a evolução eliminará as mutações deletérias e somente aqueles que se tornam melhores, com boas mutações, prosperarão". Ao comentar o trabalho, Laurence Loewe, professor assistente no Instituto para a Descoberta de Wisconsin, da Universidade de Wisconsin-Madison, disse à BBC: "Normalmente, as espécies sem recombinação regular não são muito duradouras na forma evolutiva. No entanto, a molinésia amazônica parece ter encontrado uma maneira de sobreviver por um tempo surpreendentemente longo sem acumular sinais de decomposição genômica". "Para descobrir como isso ocorre, provavelmente teremos que combinar muitos dos grandes avanços na genética evolutiva dos últimos 100 anos".


Japonês inventa tela de LED comparável a uma segunda pele
Domingo, 18 Fevereiro 2018 17:46:47 -0000

Ultrafina e flexível, invenção poderia ser usada por médicos e até por esportistas. Homem segura tela de LED ultrafina em Tóquio Toru Yamanaka/AFP Uma tela ultrafina e flexível como uma bandagem que se pode colar na mão para receber, ou enviar mensagens. É a invenção de um acadêmico japonês, que sonha com que sua criação seja utilizada no campo da saúde. O dispositivo, de um milímetro de espessura, permite ao paciente comunicar dados clínicos a seu médico a distância, explica o inventor, Takao Someya, professor da Universidade de Tóquio. Colado na palma, ou no dorso da mão, o aparelho também pode servir para enviar mensagens aos pacientes para que não se esqueçam de tomar sua medicação, ou para permitir que as crianças se comuniquem com seus avós quando estiverem longe. "Se você o coloca diretamente sobre a pele, tem a impressão de que faz parte do seu corpo. Quando alguém lhe envia mensagens à mão, isso o aproxima emocionalmente do remetente", entusiasma-se Someya. O acadêmico ressalta que sua invenção é particularmente útil em um Japão que envelhece, porque permite estabelecer uma vigilância contínua e não invasiva das pessoas idosas dependentes. A imagem, ou as mensagens, aparecem em um painel de micro LED de 16 x 24 luzes conectadas entre si por cabos elásticos e encapsulados em uma folha de borracha. Conta também com um sensor ultraleve e um sistema de comunicação sem fio. Inventor acredita que mecanismo pode ser usado na área da saúde Toru Yamanaka/AFP "Como o dispositivo é elástico, permite colar uma tela a coisas com superfícies complexas, como a pele", ressalta o inventor. Poderia ser utilizado também por esportistas para monitorar seu ritmo cardíaco, ou comprovar sua rota de corrida, ou por funcionários que poderiam receber instruções de trabalho em sua mão sem interromper sua atividade. O aparelho poderia ser comercializado em uma janela de três anos. Outra ideia é usar o dispositivo para monitoramento de ritmo cardíaco nos esportistas Toru Yamanaka/AFP


Trazendo o sexo de volta ao casamento
Domingo, 18 Fevereiro 2018 09:00:15 -0000

 A parceria afetivo-sexual é um poderoso remédio contra o isolamento e a solidão, por isso é tão importante alimentar essa chama Em entrevista a este blog, a psicóloga e sexóloga Cristina Werner já dizia que a sexualidade é uma construção diária e que o sexo que vamos praticar à medida que envelhecemos vai depender do que foi construído ao longo da vida. A parceria afetivo-sexual é um poderoso remédio contra o isolamento e a solidão, por isso é tão importante que os casais se empenhem em alimentar essa chama. A terapeuta Kimberly Anderson, que escreve sobre o tema, afirma que o desejo se manifesta em três dimensões: biológica, social e psicológica. Quando somos mais jovens, a manifestação fisiológica impera e, com o tempo, o envelhecimento e doenças crônicas podem afetá-la. O componente social vem das mensagens que internalizamos: da família, cultura e religião; finalmente, o aspecto psicológico está relacionado à qualidade do relacionamento não-sexual do casal. Nesse caso, abusos físicos ou verbais, sarcasmo e menosprezo geram raiva, ressentimento, distanciamento. “A maioria das pessoas quer ter uma conexão com o parceiro ou parceira”, diz, “mas se as interações são negativas, a frequência e a qualidade do sexo diminuem. As mulheres dizem: ‘ele me ignora o dia todo e quer transar à noite?’; enquanto os homens acusam: ‘ela me critica sempre, por que iria procurá-la à noite?’. Muitos casais acham mais cômodo deixar de fazer sexo do que discutir esses sentimentos”. Sua recomendação: procure ajuda profissional, antes tarde do que nunca, para alguém habilitado conduzir as discussões sensíveis. O sexo alimenta a parceria do casal e o protege da solidão e do isolamento By Gareth Williams from Redhill, England [CC BY 2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/2.0)], via Wikimedia Commons Quanto mais tempo o casal fica sem sexo, mais difícil se torna o processo de retomá-lo, é o que ensina Tammy Nelson, autora de “Getting the sex you want”): “sexo é o melhor afrodisíaco. Quando se passa muito tempo sem fazê-lo, o corpo reduz a produção de hormônios que nos fazem desejá-lo”. No caso de não conseguir tratar do assunto com o parceiro, ela também aconselha buscar um terapeuta, mas dá algumas dicas: “comece criando uma data erótica. Isso pode provocar uma certa ansiedade diante da expectativa de que a noite em questão não vai corresponder às expectativas, mas ponha no calendário e não desista do plano. Não há necessidade de fazer sexo na ocasião. Vocês podem apenas se tocar, deitar nus juntos e lembrar o que é estar nos braços de alguém. No começo pode parecer esquisito, mas melhora com o tempo, conforme a intimidade vai sendo resgatada”. É indispensável não inventar desculpas para adiar essa retomada. Se um dos dois tiver alguma doença crônica que gere insegurança, conversar com o médico ajudará a dissipar os temores. Para a psicóloga Shannon Chavez, ouvida pelo Huffington Post, é importante investir na criatividade para o sexo ser excitante. “Um dos motivos de os casais deixarem de fazer sexo é porque ele se tornou rotineiro, chato e previsível. Eu sugiro que criem de três a cinco cardápios eróticos diferentes, separadamente. Depois devem compartilhar esses menus, porque o simples fato de falar sobre sexo já acende o desejo. Os roteiros podem ser postos em prática aos poucos, permitindo que os dois se sintam cada vez mais confortáveis e íntimos”.


Canto e fezes das baleias revelarão mais segredos da Antártida
Sabado, 17 Fevereiro 2018 13:31:18 -0000

Os efeitos da mudança climática também serão matéria de estudo da expedição feita por um grupo de cientistas até o Mar de Ross. Pinguins na Antártida em foto de janeiro de 2015 AP Photo/Natacha Pisarenko, File Um grupo de cientistas viajou recentemente para o Mar de Ross para estudar o canto e as fezes das baleias durante o inverno nesta zona protegida, com a esperança de revelar mais segredos sobre a Antártida. Este espaço marítimo de cerca de 1,55 milhão de quilômetros quadrados declarados zona protegida desde o ano passado abriga um terço da população mundial do Pinguim-de-adélia, um quarto da dos pinguins-imperador, além de petrel da Antártida, focas de Wedell e merluza-negra. Para a região, partiu na semana passada o navio neozelandês Tangaroa com 23 cientistas a bordo, na expedição que a cada dois anos é organizada pelo Instituto de Pesquisa Aquática e Atmosférica (NIWA) e pela Universidade de Auckland. "Vamos tentar demonstrar que estas medidas são úteis para a conservação do meio ambiente e seus recursos", disse à Agência Efe o chileno Pablo Escobar, cientista do NIWA, antes de iniciar a expedição que percorrerá 7,8 mil quilômetros. Um dos estudos previstos consistirá em colher à mão com uma pequena rede, desde uma lancha, as fezes das baleias para analisar como estas afetam o ecossistema antártico. "Isso é feito para estudar os isótopos estáveis nas amostras e aprender de quais níveis tróficos (conjunto de organismos de um ecossistema) se alimentam", explicou Escobar. A ideia parte de estudos preliminares que sugerem que o plâncton depende destes excrementos como fonte de ferro. "Muitos animais que consomem zooplâncton e fitoplâncton transferem a energia às baleias, aos pinguins, às focas e às aves. Tudo está conectado e por isso devemos entender mais sobre estes ecossistemas", enfatizou o analista chileno. Outra equipe utilizará boias com hidrofones para captar o som produzido pelas baleias, especialmente no inverno, quando o gelo impede o acesso à zona. "As baleias usam os sons para se comunicar entre elas e buscar comida. Isso nos ajudará a identificar as espécies", disse Escobar, ao detalhar que nem todos os cetáceos se deslocam durante o inverno para o norte na busca de calor. O cientista chileno já participou há dois anos de uma expedição similar na qual gravou 40 mil cantos da baleia azul, espécie da qual puderam avistar dezenas de espécimes após uma paciente busca em uma área com abundantes cadumes de krill. Em outro estudo, Escobar se centrará em utilizar sondas de som para calcular a distribuição e abundância de peixes através de sinais acústicos. "Todo organismo com uma densidade diferente à das colunas de água produz um eco", explicou o chileno, especialista em acústica. As medições se centrarão nos sons dos peixes mesopelágicos, que vivem entre 200 e mil metros de profundidade, assim como do krill e o plâncton. Estas indagações levarão os cientistas de Tangaroa a remexer nas profundezas do fundo do mar, onde tentarão captar imagens e sons das espécies que habitam esta remota e selvagem zona do planeta. "Sempre são descorbetas espécies novas", disse Escobar, que insistiu sobre a importância de conhecer a fauna e, sobretudo, a das profundezas marinhas "antes que se extingam e nunca cheguemos a ver". Os efeitos da mudança climática também serão matéria de estudo da expedição através da observação da troca do CO2 entre a atmosfera e o oceano, que é um dos sumidouros deste dióxido de carbono, vinculado aos gases do efeito estufa. Além disso, será elaborado um mapa do fundo oceânico na zona do Mar de Ross para determinar os efeitos da mudança climática, e será analisada a bioquímica do oceano e as comunidades microbianas, entre outros trabalhos.


Febre amarela matou 154 pessoas desde julho no Brasil, diz ministério
Sabado, 17 Fevereiro 2018 00:01:09 -0000

Foram confirmados 464 casos até esta sexta-feira em todo o país. Febre amarela matou 154 pessoas de julho até hoje (16), diz Ministério da Saúde O Ministério da Saúde atualizou os dados de febre amarela nesta sexta-feira (16), de acordo com informações repassadas pelas secretarias estaduais. Desde julho do ano passado, foram 464 casos confirmados, sendo que 154 pessoas morreram devido à infecção. Foram recebidas 1.626 notificações neste período - pacientes com suspeita de febre amarela. Os órgãos de saúde descartaram 684 casos e 478 ainda estão sendo investigados. Casos confirmados e mortes por febre amarela O ciclo de contabilização dos dados é feito a partir de julho, sendo que acaba em junho do ano seguinte. De acordo com o Ministério da Saúde, isso ocorre devido à sazonalidade da doença, que concentra a maior parte dos casos no verão. Neste início de ano, o país está concentrando a maior parte dos casos do ciclo atual. Em comparação com o mesmo período entre 2016 e 2017, há uma queda de 12% no número de infecções confirmadas neste ano, e de 7% nas mortes. Tigres asiáticos Nesta quinta-feira (15), o Instituto Evandro Chagas (IEC) informou que o vírus da febre amarela foi encontrado em mosquitos Aedes albopictus, conhecidos como “Tigres Asiáticos”. Mesmo assim, o pesquisador e diretor do IEC, Pedro Vasconcelos, explicou que a presença do vírus no mosquito não significa, necessariamente, que o inseto possa exercer o papel de vetor da febre amarela e, por isso, afirmou que ainda não se pode falar em “risco”. Somente após a conclusão dos estudos, o instituto poderá afirmar se o Aedes albopictus tem essa capacidade de disseminar o vírus. O órgão disse que terá melhores resultados sobre a capacidade de transmissão dos Aedes albopictus capturados em 60 dias. “A gente não pode falar em risco. Esse é um mosquito mais silvestre que urbano. Como ele se adapta bem a áreas florestais, ele pode ter sido infectado por macacos, mas não se sabe ainda a capacidade vetorial dele", disse. Urbana ou silvestre? A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o governo brasileiro distinguem dois "tipos" de febre amarela: a urbana e a silvestre. As duas são causadas pelo mesmo vírus e têm os mesmos sintomas. A diferença, como apontam os nomes, está no local de contágio. No caso da febre amarela silvestre, a transmissão é feita por mosquitos que vivem na beira de rios e córregos, como o Haemagogus e o Sabethes. Eles picam macacos infectados com a doença e "carregam" o vírus até humanos saudáveis. Na febre amarela urbana, esse mesmo processo é feito por mosquitos da cidade – em especial, o Aedes aegypti, que também transmite dengue, zika e chikungunya. Nesse caso, o vírus é "obtido" a partir de pessoas doentes, e não de macacos. Não há casos de febre amarela urbana no Brasil desde 1942 e também não há registro de mosquitos Aedes aegypti infectados com o vírus da febre amarela. A doença vem sendo transmitida por vetores que vivem em matas. Entenda como ocorre a infecção e quais são os sintomas da febre amarela Alexandre Mauro/Editoria de Arte G1


Astronautas concluem caminhada espacial para reparar braço robótico da ISS
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 22:33:31 -0000

O japonês Norishige Kanai e o colega americano Mark Vande Hei fizeram expedição de 6h30 pelo espaço. Norishige Kanai e Mark Vande Hei durante caminhada espacial nesta sexta-feira Nasa Um astronauta japonês e um americano realizaram, nesta sexta-feira (16), uma caminhada pelo espaço para reparar o braço robótico da Estação Espacial Internacional (ISS) e guardar equipamentos em um depósito. É a primeira caminhada no espaço para Norishige Kanai, da agência aeroespacial japonesa (JAXA), e a quarta para seu colega americano Mark Vande Hei. "Fizeram um grande trabalho hoje", disse a Kanai um controlador em solo antes de ele regressar a uma câmara, após mais de cinco horas no espaço. Seu colega americano permaneceu fora da estação por mais alguns minutos para finalizar outras tarefas, mas um comentarista da Nasa disse que ambos os astronautas haviam "completado todas as suas tarefas principais" antes do previsto. Os astronautas estiveram 404 km sobre a África quando a caminhada espacial estava perto do fim. Prevista para durar seis horas e meia, a expedição começou às 12h GMT (10h em Brasília), quando os astronautas ativaram seus trajes espaciais alimentados por bateria antes de sair para o espaço sideral. Kanai, um médico e submarinista oriundo de Tóquio de 41 anos, conhecido como "Neemo", era tenente da Força Marítima de Autodefesa do Japão antes de virar astronauta em 2009. Em 2015, esteve 13 dias no Aquarius, um laboratório submarino em frente à costa da Flórida, como parte da Missão de Operações em Meio Ambiente Extremo (Neemo) da Nasa. Ele é o quarto astronauta japonês a fazer uma caminhada espacial. O objetivo era mover algumas partes do braço robótico da estação espacial, fabricado pelo Canadá e conhecido como Canadarm2, uma peça obsoleta, mas chave que foi alvo de reparos há alguns meses. O braço robótico é usado para mover equipamento pesado ao redor do laboratório em órbita, servindo também para acoplar as naves de carga que chegam, regularmente, para abastecer a ISS. Desta vez, os astronautas moveram uma das "mãos", conhecidas em linguagem técnica como Latching End Effector (LEE), de um depósito até a escotilha de isolamento Quest para que possa retornar à Terra em uma futura missão e possa ser recolocada. É a caminhada espacial de número 208 na história da ISS para tarefas de manutenção, e a terceira deste ano. "Esta LEE foi substituída durante a expedição 53 de caminhada espacial em outubro de 2017", informou anteriormente a Nasa em um comunicado, no qual anunciou que "também transportarão um LEE antigo, mas funcional, que foi separado do braço durante uma caminhada em 23 de janeiro, para movê-lo de seu depósito temporário fora da escotilha para um depósito de longo prazo". Essa "mão" permanecerá na ISS como uma peça de reposição.


Mulher trans produz leite e amamenta bebê pela primeira vez já registrada
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 17:18:19 -0000
A quantidade de leite produzida foi capaz de fornecer amamentação exclusiva ao bebê por seis semanas, segundo novo estudo. Uma mulher transgênera produziu leite e amamentou um bebê. É a primeira vez que um fato como esse é reportado cientificamente, segundo pesquisa publicada no periódico "Transgender Health". Com 30 anos de idade, a mulher trans (que nasceu com corpo de homem mas se identifica como uma mulher) quis amamentar o bebê depois que sua companheira, que estava grávida, decidiu que não queria ter essa experiência. A produção de leite foi possível com um tratamento que envolveu a administração de um coquetel de remédios, incluindo um medicamento que estimula a produção de leite e um bloqueador de hormônios masculinos, e o bombeamento da mama. A mulher trans tem recebido terapia hormonal por seis anos, mas nunca realizou nenhuma cirurgia de mudança de sexo. Um especialista do Reino Unido disse que a pesquisa é "emocionante" e pode levar a mais casos de amamentação por mulheres trans. Tratamento para poder amamentar Antes do nascimento do bebê, a mulher trans se consultou com médicos e manifestou seu desejo. Os médicos então a colocaram em um tratamento de três meses e meio, para ajudá-la a produzir leite artificiamente. Esse tratamento geralmente é fornecido a mulheres que adotaram bebês ou que tiveram filhos com o auxílio de barrigas de aluguel. Como resultado, a mulher trans foi capaz de produzir uma quantidade "modesta mas funcional" de leite – cerca de 240 ml por dia. Segundo os pesquisadores, o leite da mulher trans foi a única fonte de alimentação do bebê por seis semanas. Durante esse período, o crescimento, a alimentação e os hábitos intestinais do bebê foram "apropriados ao desenvolvimento". Depois disso, o bebê também começou a tomar leite de fórmula, porque não havia uma quantidade suficiente de leite natural sendo produzida. Ele tem agora seis meses e ainda é amamentado como parte de sua dieta. Channa Jayasena, pesquisador da universidade britânica Imperial College especializado em endocrinologia reprodutiva, disse que a pesquisa representa um "avanço impressionante". Agregou ainda que já havia ouvido relatos de casos como esses antes, mas nenhum estudo sobre isso havia sido publicado até agora. Os pesquisadores dizem que não está claro se todos so medicamentos usados no tratamento da mulher trans foram realmente necessários. Acrescentam que ainda é necessário fazer mais pesquisas para determinar qual é o tratamento ideal para mulheres trans que queiram amamentar.


Enigma matemático indecifrável em prova para crianças viraliza e gera polêmica na China
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 16:49:30 -0000

'Se um barco transporta 26 ovelhas e 10 cabras, quantos anos tem o capitão?', diz a pergunta, que deixou alunos perplexos e provocou debate nas redes sociais sobre questões 'criativa demais'. garoto chinês sorrindoDireito de imagemGETTY IMAGES Image caption Crianças de 11 anos foram desafiadas a responder uma pergunta aparentemente sem resposta Getty Images Alunos de uma escola primária na China foram surpreendidos com um problema matemático que os deixou bastante confusos. A perplexidade veio ao se depararem com a seguinte pergunta: "Se um barco transporta 26 ovelhas e 10 cabras, quantos anos tem o capitão?". O problema foi apresentado em uma prova para alunos de 11 anos de idade. E a questão, aparentemente impossível de ser respondida, não só virou tema de debate na escola, como também gerou polêmica nas redes sociais. As diferentes tentativas de respondê-la geraram tanta discussão que autoridades chinesas precisaram explicar por que os educadores escolheram tal pergunta. A justificava foi de que o objetivo era estimular o "pensamento crítico" dos alunos. A questão gerou muitas respostas curiosas, divertidas e até insólitas. "O capitão tem que ter pelo menos 18 anos porque, para conduzir um barco, é preciso ser adulto", respondeu um dos alunos. Outro estudante fez questão de, ao menos, fazer uma conta: "Tem 36, porque 26+10 é 36 e o capitão queria que o número de animais fosse igual à idade dele". Mas houve quem preferiu a sinceridade: "A idade do capitão é... não sei. Não sou capaz de resolver esse problema." Imagem da prova viralizou nas redes sociais chinesas Reprodução/Weibo Críticas Nas redes sociais, por sua vez, houve muitas críticas. "Essa pergunta não tem sentido lógico. Por acaso o professor sabe a resposta?", dizia um comentário na rede social chinesa Weibo "Se a escola tem 26 professores, 10 dos quais não estão pensando, que idade tem o diretor?", ironizou outro internauta. Mas teve quem defendesse o colégio, cujo nome não foi divulgado, dizendo que a pergunta pode estimular o pensamento crítico das crianças. "A ideia é fazer com que os alunos pensem, e (a questão) foi bem-sucedida nisso", comentou outra pessoa. "Essa pergunta faz com que as crianças tenham que explicar sua forma de pensar e deixa espaço para serem criativas. Deveríamos ter mais perguntas como essa", argumentou um usuário. Consciência crítica O Departamento de Educação explicou, por meio de um comunicado, que a prova tinha a intenção de "avaliar consciência crítica e a habilidade para pensar com independência". "Algumas respostas mostram que os estudantes em nosso país precisam de pensamento crítico na área de matemática", diz o comunicado. O método tradicional chinês de educação enfatiza que alunos anotem e repitam o conteúdo ensinado. Trata-se de um sistema comumente criticado por não estimular o pensamento criativo. As autoridades educacionais argumentam que as perguntas como a do barco "permitem a todos os alunos a desafiar os prórpios limites e a pensar além". Nas redes sociais, houve quem tentou resolver o problema de forma elaborada. "O peso total das 26 ovelhas e das 10 cabras é 7,7 mil quilos, considerando o peso médio de cada animal", escreveu um internauta antes de completar o raciocínio: "Na China, é preciso ter uma licença que exige cinco anos de experiência (prévia) para se comandar um barco que tem mais de 5 mil quilos de carga. A idade mínima para conseguir essa licença é 23 anos, por isso o capitão tem pelo menos 28 anos". Mas as autoridades chinesas confirmaram que não existe uma resposta certa.


Quem foi Giordano Bruno, o místico 'visionário' queimado na fogueira há 418 anos
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 16:43:35 -0000

De temperamento rebelde e contestador, ele não seria considerado um cientista nos moldes atuais - mas defendeu teorias astronômicas que só seriam comprovadas muitos anos depois. O lugar em que Bruno foi queimado pela Inquisição, em Roma, tem hoje uma estátua em sua homenagem Getty Images Há 418 anos, em 17 de fevereiro de 1600, uma quinta-feira ensolarada, Roma presenciou um espetáculo dantesco. Centenas de pessoas lotaram o Campo dei Fiori (Campo das Flores), uma praça no centro da cidade, para assistir à morte na fogueira de Giordano Bruno, por ordem da Santa Inquisição. O padre, filósofo, místico, poeta, autor de peças de teatro, nascido Filippo Bruno em 1548 em Nola, no reino de Nápoles, pagava com a vida pela ousadia de ter desafiado a Igreja e discordado das ideias então vigentes, entre as quais a de que a Terra era o centro do universo. A sentença havia sido proferida oito dias antes pelo papa Clemente 8 depois de sete anos de julgamento, durante os quais Bruno negou-se diversas vezes a renunciar às suas ideias e arrepender-se. Fez mais. Conta-se que, enquanto ardia na fogueira, ainda teve forças para virar o rosto a um crucifixo que alguém lhe havia mostrado. No livro As Sete Maiores Descobertas Científicas da História, os irmãos David Eliot e Arnold Brody contam que a história desse desfecho trágico, mas mais ou menos previsível para a época, começou a ser escrita em 1575, quando Bruno leu textos proibidos do filósofo holandês Desidério Erasmo (1466-1536), o que lhe valeu o primeiro processo de excomunhão. É provável, dizem, que o temperamento inquieto e contestador de Giordano Bruno o tivesse levado por si só à fogueira, mas ter lido Erasmo ajudou a marcá-lo como herege. Na verdade, desde cedo ele mostrou tendências heterodoxas. Ainda noviço, ele atraiu atenção pela originalidade de seus pontos de vista e por suas exposições críticas das doutrinas teológicas então aceitas. Vida religiosa e conturbada Assim, não é de estranhar que tenha chamado a atenção da Inquisição desde que começou a se tornar conhecido. Apesar de Bruno, que trocou o nome Filippo por Giordano aos 15 anos, quando entrou para a Ordem Dominicana, ter sempre estado ligado à religião, nunca foi aceito pelos religiosos. Em 1575, três anos depois de ter sido ordenado padre, o futuro condenado concluiu o curso de teologia no Convento Dominicano de San Dominica de Maggiori, em Nápoles, o mesmo em que havia estudado e lecionado Santo Tomás de Aquino. Foi o início do seu calvário. Obra de 1894 que retrata Galileo Galilei sendo julgado pela Inquisição em 1633Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A Inquisição perseguiu diversos intelectuais que divergiam das ideias da Igreja, entre eles Galileu Galilei Getty Images Em fevereiro de 1576, ainda em Nápoles, aos 28 anos, Bruno viu-se obrigado a se transferir para Roma para escapar das acusações de heresia. Mas uma vez lá, no Convento de Minerva, ele não alterou sua maneira de ser, e após alguns meses fugiu e abandonou o hábito dominicano. Foi o suficiente para ser sido enquadrado em um segundo processo de excomunhão. Em abril do mesmo ano, teve de fugir para Genebra, na Suíça, onde se converteu ao calvinismo. Foi uma experiência efêmera. Por ter escrito um artigo no qual criticava um professor calvinista, acabou preso e excluído dessa religião. Entre 1580 e 1585, Giordano Bruno pôde, enfim, desfrutar de um breve interregno de paz. Deu aulas em Paris, Londres e na Universidade de Oxford e celebrizou-se como autor de obras teológicas. Foi nessa época também que se evidenciaram suas ideias científicas, tendo ele escrito vários textos sobre a teoria de Copérnico - mais tarde abraçada por Galileu Galilei, que também esteve na mira incendiária da Inquisição -, sobre o Sistema Solar, e apresentou a hipótese de que o Universo era infinito. Segundo o professor Rodolfo Langhi, do Departamento de Física do campus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Bruno conhecia e apoiava a teoria de Copérnico, o heliocentrismo, que dizia ser o Sol o centro do universo. Mas foi além. "Ele pregava que o Universo era infinito, sem centro, e repleto de mundos habitados, como o nosso", explica Langhi, que desenvolve pesquisas, projetos e publicações na área de Educação em Astronomia. "Ele disse o seguinte na obra Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos: 'que haja nesse espaço inúmeros corpos como nossa Terra e outras terras, nosso Sol e outros sóis, todos os quais executam revoluções nesse espaço infinito'." Bruno acreditava que os existem 'inúmeros corpos como nossa Terra e outras terras, nosso Sol e outros sóis' Getty Images Além disso, ele também afirmava, por exemplo, que, além de Saturno (o planeta mais distante do Sol conhecido até então), havia outros planetas que giravam ao redor da estrela. Isso foi confirmado com a descobertas dos planetas Urano, em 1781, por William Herschel, Netuno, em 1846, por Johann Galle, e Plutão, em 1930, por Percival Lowell. Apesar de ter acertado nessas previsões, o modelo cosmológico de Giordano Bruno não estava embalado em dados científicos, mas em crenças religiosas. Por causa disso e outras "heresias", a partir de 1585, novamente o vento abrasador da intolerância começou a soprar em sua direção. Com as achas da incompreensão e da ignorância, seu inimigos começaram a acender e a alimentar a fogueira que iria devorá-lo. Com uma coragem beirando a arrogância, entretanto, Bruno manteve sua postura provocativa. Em 1586, escreveu uma série de artigos insultando altos funcionários do governo e reiterando suas ideias a respeito do Universo. O resultado foi o previsto: teve de fugir de Paris. E de lá para a Alemanha, onde se converteu ao luteranismo. Mas de novo, por pouco tempo. Foi de novo expulso, desta vez pela Igreja Luterana de Helmstedt. Traição Em 1591, cometeu aquele que seria, certamente, seu maior erro. Quinze anos depois de deixar sua terra natal, resolveu retornar à Itália a convite de um nobre veneziano, Giovanni Mocenigo, que o alojou em sua casa em troca de aulas de memorização, outra especialidade dele. No entanto, Mocenigo traiu Bruno, entregando-o à Inquisição veneziana. Dessa vez, Bruno resolveu se retratar e argumentou que suas ideias eram filosofia e não teologia - portanto, não questionavam o poder da Igreja. Ele deveria ser solto, mas a Inquisição romana exigiu sua extradição. Assim, em 27 de janeiro de 1593, ele tornou-se prisioneiro do Santo Ofício, de onde só saiu para a fogueira. Até hoje a figura de Bruno e o que ele representa são objetos de discussão. Apesar de suas ideias avançadas para a época, muitos pesquisadores modernos afirmam que ele não era um cientista na acepção que a palavra tem hoje. "Ele era um pregador", resume o astrônomo Augusto Damineli, professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). O físico e astrônomo Othon Cabo Winter, do Departamento de Matemática da Faculdade de Engenharia (FEG), do campus de Guaratinguetá da Unesp, pensa de maneira semelhante. "Ele era muito bem informado, tinha conhecimento dos avanços astronômicos mais atuais da época, mas não fazia ciência", diz. "Bruno juntava os conhecimentos com suas crenças e fazia especulações e afirmações sem um embasamento científico de fato." Milhares de pessoas passam todos os dias pelo local onde Giordano Bruno foi queimado Getty Images Cientista ou místico? Há, no entanto, quem pense diferente. É o caso do antropólogo e medievalista português naturalizado brasileiro, João Eduardo Pinto Basto Lupi, pesquisador do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). "Hoje achamos que cientista é alguém agarrado a instrumentos de observação e análise, com tabelas de matemática do lado", diz. "Mas no tempo de Bruno não era assim. Muitos inclusive, como Newton, por exemplo, não deixavam de ser astrólogos, nem de considerar ideias de ciências ocultas." De acordo com Lupi, o que importava era ter ideias capazes de dirigir o conhecimento sobre o universo, e isso Bruno tinha demais. "É o que os americanos hoje em dia chamam de ideias seminais, capazes de fertilizar a inteligência", explica. "Mas muitas pessoas continuam agarradas a concepções científicas demasiado racionalistas e positivistas, que não têm mais futuro. E nisso o Giordano Bruno foi um grande orientador da ciência, um cientista visionário. Parecia medieval mas era mais contemporâneo do que muitos hoje em dia." Mas por que Giordano Bruno incomodava tanto a Igreja? "Suas ideias tiveram importância política, pois na luta entre a Igreja conservadora (dona do poder) e a burguesia revolucionária (classe em ascensão) ele optou pela revolução", responde Damineli. "Essa foi a principal motivação para a Igreja assassiná-lo. Note que ela reabilitou Galileu, mas nunca cogitou de fazer o mesmo com Giordano Bruno, pois a luta dele era eminentemente política, no sentido de visão do mundo." Segundo o astrofísico Daniel Brito de Freitas, da Universidade Federal do Ceará (UFC), o principal motivo do incômodo que Bruno causava à Igreja é que ele defendia que o Deus definido pelo Cristianismo era limitado e, acima de tudo, não incorporava a ideia da infinitude dos mundos. "Ele sugeriu abandonar as Sagradas Escrituras e reescrever Deus levando em conta a existência de outros mundos e outras formas de vida pensante", explica. "Para a Igreja, esse era um ato de blasfêmia do mais alto grau na escala de heresia. Esse foi o motivo pelo qual a Igreja Católica perseguiu e condenou Giordano Bruno à fogueira da Santa Inquisição." A revolução de Giordano Bruno Ao receber a sentença, Bruno deu uma prova, se não dessa arrogância que lhe atribuem, pelo menos de desassombro e autoconfiança. "Talvez vocês, meus juízes, pronunciem essa sentença contra mim com maior temor do que eu a recebo", declarou a seus algozes. Apesar disso, ainda lhe foram dados oito dias para ver se se arrependia. E embora suas ideias científicas desafiassem os preceitos de então, a Igreja não admite que ele tenha sido condenado por esse motivo, mas sim por questões teológicas. Mesmo com as controvérsias, a maiorias dos cientistas de hoje concorda que Bruno foi um visionário que anteviu e levantou questões que vieram a ser comprovadas ou ainda intrigam séculos mais tarde. "São ideias e questões bem atuais", diz Winter. "Milhares de planetas ao redor de outras estrelas já foram descobertos. A questão da existência de vida fora da Terra é um dos temas mais relevantes para a ciência na atualidade e acredita-se que será verificada ainda neste século." Damineli lembra que Bruno se entusiasmou com as grandes navegações da época dos descobrimentos, que estavam ultrapassando os limites imaginários dos oceanos e colonizando novos mundos. A partir disso, ele imaginou naves movidas a vento solar, que só entraram no campo científico cerca quatro séculos mais tarde, e que atravessariam o "oceano escuro de vácuo" para aportar em outros planetas", diz. Segundo Damineli, essas novas "grandes navegações no espaço" são análogas às anos 1500-1600 e têm um potencial de revolução industrial ainda maior que as da caravelas. "Desta forma, a visão de Giordano Bruno vai muito além de sua época, para tempos em que ainda não entramos, mas estamos no limiar."


Brasil regulamenta redução de gás que destrói camada de ozônio
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 14:01:28 -0000

Medida que prevê redução de 39% para HCFCs foi publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira (16). Regulamentação é resposta ao Protocolo de Montreal, assinado em 1990. Representação da camada de ozônio, região protege a Terra dos raios ultravioleta do Sol, que podem causar câncer de pele. AP O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) estabeleceu que empresas reduzam em 39,30% a importação de produtos com gases que contribuem para a destruição da camada de ozônio. A medida, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (16), será válida a partir de janeiro de 2020. Para o ano de 2018 e 2019, ficam válidas as reduções de 16,60%, já estabelecidas anteriormente. A regulamentação também estabelece que, em 2021, a importação seja reduzida em 51,6%. As reduções recaem sobre importações de hidroclorofluorcarbonos (HCFC), grupo de substâncias que podem destruir moléculas da camada de ozônio na estratosfera. Esses gases são usados para expandir espumas de cadeiras, sofás e colchões. Eles também são conhecidos como refrigeradores e são utilizados em geladeiras e aparelhos de ar condicionado. Em 2016, o ecretário de estado americano, John Kerry, discursou em encontro em Ruand. Nele, países assinaram acordo que visa à eliminação progressiva dos hidrofluorocarbonos (HFC) AP O Protocolo de Montreal e as metas brasileiras O país tem um programa para eliminação do HCFC, que foi estabelecido em 2012 e também é signatário do Protocolo de Montreal, tratado internacional que entrou em vigor em 1989, mas foi assinado pelo país em 1990. Atualmente, 197 países ratificam o protocolo e se comprometeram a reduzir a emissão de gases que destroem a camada de ozônio até sua completa eliminação. Quando foi idealizado, a principal meta do tratado era um programa de eliminação dos CFCs (clorofluorcarbonos), considerados mais nocivos à camada de ozônio. A Camada de Ozônio Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil extinguiu o uso de CFCs em 2010. Agora, a meta é que os HCFC, menos nocivos, mas que também contribuem para a destruição da camada, sejam eliminados até 2040. OS HCFC surgiram para substituir o uso do CFC mas, com o tempo, também foram considerados nocivos - principalmente para o clima, já que também, contribuem para o aumento da temperatura média do planeta. Com isso, uma convenção em Kigali (capital da Ruanda) estabeleceu em 2016 acordo que visou à eliminação progressiva dos hidrofluorocarbonos (HCFC). O acordo introduziu uma emenda ao Protocolo de Montreal.


O que faz a Áustria se negar a proibir o cigarro em bares e restaurantes
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 13:55:36 -0000

Comunidade médica local pede que o governo volte atrás na decisão de liberar o tabaco, cujo banimento estava previsto para maio; para especialista, gestão 'transformou a Áustria no cinzeiro da Europa'. Banimento estava marcado para maio, mas novo governo cancelou a mudança Getty Images/BBC Muitos países ocidentais - inclusive o Brasil - já baniram o cigarro dos bares e restaurantes. Mas a Áustria se nega a seguir essa tendência. De acordo com uma lei aprovada em 2015, o país deveria proibir completamente o fumo dos estabelecimentos até maio deste ano. Mas agora, o governo formado por conservadores e pelo Partido da Liberdade, de extrema-direita, cancelaram esses planos. O movimento contra o banimento foi capitaneado por Heinz-Christian Strache, líder do Partido da Liberdade e atual vice-chanceler da Áustria. Ele, que é fumante, disse ao parlamento do país que o objetivo era garantir a liberdade de escolha. Segundo o vice-chanceler, os restaurantes devem ter a liberdade de decidir se querem ou não manter alas para fumantes, nas quais "um cidadão tenha a possibilidade de fumar um cigarro ou cachimbo enquanto toma seu café". Centro de Viena, na Áustria Getty Images/BBC Quais foram as reações? A medida horrorizou a comunidade médica da Áustria. Para Manfred Neuberger, que é professor emérito da Universidade de Medicina de Viena, trata-se de "um desastre de saúde pública". "A decisão é irresponsável. Foi uma vitória da indústria do tabaco. O novo governo transformou a Áustria no cinzeiro da Europa", diz Neuberger. O professor afirma que a Áustria já tem taxas "vergonhosamente altas" de tabagismo entre os jovens, "principalmente em comparação com outros países de alta renda". Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2013 constatou que a Áustria tinha a maior taxa de tabagismo entre adolescentes de 15 anos de idade, dentre os 26 lugares pesquisados. O país lidera esse ranking desde 1994. A Câmara de Medicina de Viena e outras entidades médicas lançaram uma petição para que o governo reconsidere a decisão. Segundo o presidente da Câmara, o médico Thomas Szekeres, a comunidade "não entende o porquê de o governo ter voltado atrás e permitido o fumo". Muitos dos principais cafés do centro de Viena já proibiram a fumaça BBC "Sabemos que o tabagismo está por trás de casos graves de ataque cardíaco e de câncer. Nos países em que o fumo é proibido em bares e restaurantes, os funcionários ficaram mais protegidos e houve uma melhora na saúde da população", diz. Como é hoje Muitos dos famosos cafés do centro de Viena já baniram o cigarro. Em parte, estavam se antecipando à proibição que deveria entrar em vigor em maio. Mas havia também a intenção de atrair turistas. Outros estabelecimentos, porém, continuam esfumaçados. Restaurantes maiores são obrigados a criar áreas separadas para fumantes e não fumantes - mas a obrigação de deixar a porta fechada entre um local e outro costuma ser ignorada. Estabelecimentos menores podem optar por permitir ou não o fumo. Peter Noever: 'Vienenses acreditam que fumar seja parte da cultura deles' BBC No Kleines Café, por exemplo, o tampo de mármore de cada mesma traz um cinzeiro, e o ar fica azulado com a fumaça do tabaco. Um cliente, Peter Noever, diz que a cidade é um pouco retrógrada. "Os vienenses se acham muito especiais. Acreditam que fumar é parte da cultura deles", diz. "Eu mesmo fumava muito, mas tem mais de 15 anos que parei. Fumei tanto que não consigo mais. Mas gosto de fumantes, acho que eles são mais humanos." Divididos pela fumaça Peter Dobcak, da Câmara de Comércio de Viena, se diz pessoalmente favorável à decisão do governo que derrubou o banimento. Mas admite que há uma divisão entre os donos de restaurantes - alguns são contra o fumo. "Temos vários restaurantes que preferem deixar os clientes fumarem", diz. "Restaurantes mais caros geralmente são favoráveis ao banimento. Já os bares, discotecas e boates são favoráveis ao fumo. O banimento forçaria as pessoas a fumar do lado de fora... o que poderia gerar barulho nas ruas tarde da noite", diz. O Café Hummel, em uma área nobre da cidade, baniu o fumo há cerca de um ano. A dona, Christina Hummel, diz ter perdido cerca de 5% da receita após a proibição. Mas diz ter feito este movimento para tentar atrair uma nova clientela, mais jovem. "Pelo lado positivo, vemos que mais famílias têm vindo aqui para tomar café da manhã com os filhos. O desafio é mudar o conceito da empresa", diz ela. A decisão de Christina divide as opiniões dos consumidores. Gerhard Lammerer é um cliente frequente e, mesmo não sendo fumante, se disse contrário à proibição. "As pessoas vão sempre fumar. Por que não deixar as coisas como elas são? Para que tornar a situação mais estrita? No passado, as pessoas fumavam cigarros bem mais pesados até os 90 anos de idade", diz ele. Mas outros discordam. "Acho que o banimento é correto", diz outro cliente, Christoph Riemekasten. "A qualidade do ar fica melhor. Em nenhum outro país houve problemas com a proibição do fumo, só na Áustria", diz. O artista de cabaré Leo Lukas concorda - conta que agora consegue respirar direito. "Eu mesmo fumei por mais de 30 anos, e continuo fumando em algumas ocasiões. Mas sou totalmente favorável ao banimento, porque a qualidade de vida aumenta muito. Mesmo numa cafeteria tradicional como esta."


Varizes: o que fazer para evitar e quais os tratamentos?
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 12:53:41 -0000
Feridas, sangramento, inchaços, vermelhidão e ressecamento são alguns sinais de alerta de que as varizes precisam de tratamento urgente. Bem Estar - Edição de sexta-feira, 16/02/2018 Um problema que atinge quase metade da população em algum momento da vida: varizes. O que fazer para evitar? E os tratamentos? Operar é sempre uma solução? O diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular Marcelo Moraes explicou no Bem Estar desta sexta-feira (16) quais são os tratamentos para varizes. Também convidamos a ginecologista Flavia Fairbanks para falar de outro problema que prejudica a circulação do sangue: a trombose. A causa das varizes é genética. A hipótese é que algumas pessoas já teriam uma constituição de vasos mais propensa ao problema que, combinadas a fatores de risco como obesidade, gravidez, sedentarismo, aumentariam o risco de mau funcionamento, dificuldade para bombear o sangue, aumento da pressão e extravasamento. Feridas, sangramento, inchaços, vermelhidão e ressecamento são alguns sinais de alerta de que as varizes precisam de tratamento urgente. Uso de meias pode ser indicado em casos de espera do tratamento. Em caso de sangramento, a primeira providência é colocar as pernas para cima, para evitar uma hemorragia, e pedir socorro médico. Telespectadora faz cirurgia de varizes após o Bem Estar Global Causa das varizes é genética Vírus da febre amarela é achado em mais um mosquito no Brasil


Por que quero remover meu útero, como fez Lena Dunham
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 12:08:20 -0000

Sofie Hartley, de 27 anos, conta que deseja remover órgão por causa de uma doença, a endometriose. A atriz e escritora Lena Dunham (esq.) e Sofie Getty Images/Arquivo pessoal Sofie Hartley tem 27 anos e sofre de endometriose desde a adolescência. Ao Newsbeat, programa de rádio da BBC, ela disse que deseja realizar uma histerectomia total, uma operação que removeria totalmente seu útero, de forma a aliviar os sintomas da doença. Nesta semana, a atriz americana Lena Dunham - que sofreu de endometriose durante anos - ganhou as manchetes ao anunciar que tinha se submetido à mesma operação. A endometriose afeta uma em cada dez mulheres no mundo. Causa dor crônica, menstruações muito mais fortes que o normal, dor durante o sexo e até depressão. A doença é causada por um crescimento anormal do endométrio - a membrana que reveste a parede do útero. "É muita dor e desconforto, principalmente na menstruação", diz Sofie. "Principalmente dor nas costas, enxaqueca e fadiga - mas também depressão e ansiedade", acrescenta. "É o medo absoluto de ficar longe da família e dos amigos, e também de ficar sem absorvente, calcinhas extras e analgésicos", conta a jovem. "Muita gente com endometriose acaba cancelando compromissos e atividades com os amigos." Foi um longo caminho até o nascimento de Jacob, diz Sofie Hartley : Arquivo pessoal Assim como Lena Dunham, Sofie diz querer fazer a histerectomia para voltar a ter controle sobre seu corpo e sua vida. A jovem tem um filho de seis anos de idade, Jacob. Apesar da criança ser "incrível", Sofie disse ter batalhado muito para que ele pudesse nascer. Assim como várias mulheres com endometriose, Sofie teve dificuldades para engravidar e sofreu três abortos espontâneos. "Eu nunca quis ter mais de um filho, especialmente depois que os sintomas e os efeitos colaterais da endometriose pioraram. Tive de perguntar a mim mesma o que era mais importante: ter mais filhos ou permanecer saudável para cuidar do Jacob", diz ela. "Se a histerectomia aliviar um pouco o fardo da minha doença, para mim vale à pena. Para estar feliz e saudável com o meu filho", afirma. Sofie toma uma injeção hormonal por mês para ajudar a amenizar os sintomas, que descreve como "absolutamente horríveis". "Espero poder fazer a histerectomia", diz. Como a cirurgia pode ajudar no tratamento Hoje não há cura para a endometriose, apenas tratamentos que buscam minimizar os sintomas. São usados analgésicos, tratamentos hormonais, contraceptivos e cirurgias. Estas últimas têm por objetivo remover partes do tecido afetado pela doença. Na histerectomia, o útero é removido. A paciente também pode ter o colo do útero (cérvix) e os ovários retirados, dependendo do diagnóstico. "A histerectomia não cura todos os sintomas da endometriose e certamente não acaba com a doença em si", pondera o ginecologista Sanjay Vyas. Ele diz que o procedimento "pode ser parte do tratamento, mas é preciso que haja uma solução personalizada para cada mulher", diz. "Às vezes é preciso um tratamento mais complexo (que só a cirurgia)", completa ele.


Vacina contra gripe foi eficaz em apenas 36% dos casos nos EUA, diz análise 
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 11:43:58 -0000

Eficácia foi menor que a registrada em temporada anterior, diz relatório. Autoridades nos Estados Unidos continuam a indicar vacina, mas afirmam que imunizantes mais eficazes são necessários.  Mulher em situação de rua é vacinada contra em San Diego, nos Estados Unidos, em campanha de fevereiro de 2018 REUTERS/Mike Blake/File Photo A vacina contra a gripe aplicada nos Estados Unidos entre novembro de 2017 e janeiro de 2018 foi apenas 36% eficaz, informa análise do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças). O número é menor que a eficácia registrada no mesmo período em 2016 e 2017, quando o imunizante preveniu 48% das infecções. Em relação à cepa H3N2 do vírus da gripe, a vacina foi eficaz em 25% dos casos -- contra os 32% registrados na temporada anterior. A cepa H3N2 é a mais comum nos Estados Unidos, sendo responsável por 69% das infecções. No Brasil, a cepa também circula e foi responsável pela maior parte das infecções em 2017, segundo informações da Sociedade Brasileira de Imunizações. Apesar eficácia registrada, no entanto, o CDC continua a indicar a vacin da grpe. "A vacina ainda pode prevenir algumas infecções (...), inclusive milhares de hospitalizações e mortes", afirma o relatório. O CDC afirma, entretanto, que vacinas mais eficazes são necessárias para ampliar a proteção. A eficácia da vacina costuma variar de temporada para temporada. Todos os anos, a Organização Mundial de Saúde indica as cepas que serão utilizadas Divulgação Como funciona o monitoramento da vacina da gripe nos EUA O CDC faz uma análise anual da eficácia da vacina da gripe nos Estados Unidos. Nesta temporada, 4562 adultos e crianças foram recrutados. Neste número, 45% havia tomado a vacina contra a infecção. O CDC calcula a eficácia do imunizante ao comparar o número de infecções no grupo que tomou a vacina, em comparação com aqueles que não receberam o imunizante. O relatório afirma ser comum a eficácia da vacina variar de acordo com a temporada. Normalmente, a eficácia é maior contra o influenza A do tipo H1N1 e menor no influenza B e no A do tipo H3N2. Variações na eficácia e mutações Segundo a agência France Presse, a eficácia da vacina contra a gripe muda de ano para ano, e variou de 10% a 60% ao longo dos últimos 12 anos, de acordo com o médico Robert Glatter, do Lenox Hill Hospital, em Nova York. Ainda assim, disse o médico à agência, vale a pena tomá-la, até que uma vacina melhor e universal possa ser feita. "Ainda é prudente tomar a vacina porque a gravidade da sua doença será reduzida", apontou o especialista. De acordo com a France Presse, pesquisas mostraram que uma mutação na cepa H3N2 do vírus, que não apareceu na vacina produzida em massa que é cultivada usando ovos, é a razão pela qual a vacina ofereceu pouca proteção na última temporada. Mulher recebe dose de vacina contra a gripe no Distrito Federal André Borges/Agência Brasília A vacina da gripe no Brasil No Brasil, a vacinação contra a gripe costuma ocorrer em maio, antes do inverno. Na rede pública, a vacina é destinada a pessoas com 60 anos ou mais, gestantes,
 mulheres com até 45 dias pós-parto, crianças de 6 meses a menores de 5
 anos, doentes crônicos, trabalhadores da saúde e populações indígenas e privadas de liberdade. Assim como os Estados Unidos, o Brasil segue orientação da Organização Mundial da Saúde sobre as cepas de vírus a serem utilizadas nas vacinas. Essas cepas variam de acordo com a vigilância feita pela OMS, mas geralmente contêm vírus inativados do H1N1, H2N3 e um tipo de influenza B.


Pesquisadores criam supermadeira tão resistente que pode substituir até o aço
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 09:46:40 -0000

Engenheiros adensaram e fortificaram madeira com técnica inovadora que pode lhe dar novas aplicações, da construção civil a indústria automotiva. Liangbing Hu (à esq.) mostra como a supermadeira é mais densa e comprimida em relação à madeira natural, nas mãos de seu colega Teng Li Hua Xie Uma madeira mais resistente do que a natural e mais forte do que ligas de titânio foi desenvolvida por engenheiros da Universidade de Maryland, nos EUA, que dizem que sua invenção pode ser um importante substituto do aço. "É uma solução promissora na busca por materiais sustentáveis e de alto rendimento", afirmou à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Liangbing Hu, professor-associado de Ciência e Engenharia de Materiais da universidade e líder da equipe que desenvolveu o projeto, publicado no periódico científico Nature. Segundo ele, o produto final apresenta 12 vezes mais resistência que a madeira comum. "É um tipo de madeira que pode ser usado em automóveis, aviões, edifícios e em qualquer aplicação em que se use aço." Resistência da lignina Essa supermadeira é fabricada em duas etapas: a primeira consiste em um tratamento químico para a extração parcial da molécula chamada lignina, um dos polímeros mais comuns do planeta e o elemento que confere à madeira sua cor amarronzada e sua rigidez. Depois, a madeira é comprimida a um calor de 100ºC, o que "espreme" as fibras de celulose e reduz a grossura do produto final em cerca de 80%. Essa compressão destrói eventuais defeitos na madeira, como buracos ou nós. Mas o mais importante é que suas fibras ficam tão próximas entre si que formam fortes elos de hidrogênio. A lignina é retirada justamente para evitar que fiquem espaços vazios entre as fibras, explica Hu. Mas essa emoção é apenas parcial porque "se comprimíssemos a madeira depois de extrair a lignina totalmente, a estrutura inteira (do material) colapsaria". Liangbing Hu e seu colega Teng Li mostrando a supermadeira; pesquisadores a testaram com projéteis semelhantes a balas de revólver Universidade de Maryland Projéteis Os pesquisadores da Universidade de Maryland testaram o material com tiros de projéteis de aço, similares a balas de revólver. Os projéteis atravessaram a madeira natural, mas ficaram retidos até a metade quando disparados contra a madeira tratada. "A supermadeira é tão forte quanto o aço, mas seis vezes mais leve", diz Hu. Ele agrega que o tratamento funcionou nos testes realizados em três tipos de madeira dura (tília, carvalho e álamo) e outros três de madeira mais leve (cedro e pinheiro). E, ao adensar madeiras mais leves, será possível diversificar seu uso, explica o pesquisador. "Madeiras leves como o pinheiro, que crescem rapidamente e são mais ecologicamente corretas, podem substituir florestas mais densas porém de crescimento mais lento, como a teca, (para fabricação de) móveis ou edificações", diz Hu. Questionado sobre essa tecnologia estimular o desmatamento, Hu argumenta que "a madeira densificada pode ser usada por mais tempo, e por isso não resultará na destruição de florestas". Agora, os pesquisadores estão em busca de aplicações para a nova tecnologia, e uma startup universitária foi criada para comercializar a técnica.


Parece que o jogo virou, vizinha!
Sexta feira, 16 Fevereiro 2018 08:00:10 -0000

Galáxia Andrômeda NASA/GALEX A nossa galáxia, a Via Láctea, não está isolada no universo, pelo contrário. Ela faz parte de um grupo de galáxias chamado Grupo Local que conta com pelo menos 54 galáxias. O número não está fechado, porque várias galáxias são muito difíceis de se identificar. Elas são pequenas, não têm gás (ou muito pouco) e se confundem fácil com a população de estrelas de nossa própria galáxia. Para que elas sejam observadas, sua luz precisa entrar na Via Láctea e, dependendo do ângulo em que isso acontece, na frente dela vai ter um monte de estrelas da nossa galáxia, bem como seu gás e poeira. Por causa desse problema de linha de visão, já teve galáxia que se pensava ser apenas um aglomerado globular ou o caso da Galáxia Esferoidal de Sagitário que está sendo tragada pela Via Láctea! Nesse quesito, há quem afirme que o Fluxo de Estrelas de Virgem se trata dos restos de uma galáxia que foi desfigurada pela nossa galáxia e que agora está sendo engolida num ato de canibalismo cósmico. Eventos desse tipo não são raros e acontecem em muitos aglomerados pelo universo. O cenário é tão dinâmico que as Nuvens de Magalhães, a grande e a pequena, eram até bem pouco tempo atrás consideradas galáxias satélites da Via Láctea. Só que medidas recentes do telescópio espacial Hubble mostraram que elas têm velocidades muito grandes para estarem presas orbitando a gente, mas estão meio que de passagem. E a própria Pequena Nuvem pode ter se partido em duas em decorrência da interação com a Grande Nuvem, sendo que as duas partes se confundem quando vistas da Terra. O Grupo Local tem um diâmetro aproximado de 10 milhões de anos luz e suas galáxias são distribuídas como se fossem um haltere, estão concentradas em dois pontos. Esses pontos são as duas principais galáxias do grupo, a Via Láctea e a galáxia de Andrômeda. Isso não significa que as galáxias estejam necessariamente orbitando uma das duas. As galáxias satélites estão de fato presas gravitacionalmente, em alguns casos presas até demais, mas várias outras não têm ligação com as principais. Elas estão, por outro lado, presas ao potencial gravitacional do grupo como um todo. A galáxia mais próxima da Via Láctea, como vimos, pode estar dentro dela. Já a mais distante (se confirmada) é a galáxia irregular Sextante A que está a uma distância de 4,44 milhões de anos luz. As 3 principais galáxias do grupo são a Via Láctea, Andrômeda e a Galáxia do Triângulo, que tem esse nome por estar na constelação do Triângulo e não por possuir forma triangular. Em torno dessas 3 estão a maioria das galáxias do Grupo Local, formando um complexo sistema de satélites. Tanto é que ainda hoje há debates sobre se a Galáxia do Triângulo é um polo de galáxias satélite, ou se ela mesma é um satélite de Andrômeda ou da Galáxia Anã de Peixes. Em termos de tamanho, ou melhor colocando, de massa, o ranking tem Andrômeda em primeiro, Via Láctea em segundo e a Galáxia do Triângulo em terceiro. De acordo com as estimativas, a Via Láctea tem a massa total equivalente a massa de 800 bilhões de sóis. Andrômeda poderia ter o dobro ou triplo disso, e a Galáxia do Triângulo teria uns 50 bilhões de massas solares. Mas como você já percebeu, mesmo esse ranking estabelecido já há 50 anos pode sofrer alterações. E uma delas aconteceu ontem, quinta-feira, com a publicação de um trabalho na revista britânica "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society". O trabalho, liderado por Prajwal Kafle da Universidade da Austrália Ocidental, recalculou a massa de Andrômeda e os resultados mostram que ela é compatível com a Via Láctea. Em outras palavras, Andrômeda e Via Láctea têm quase a mesma massa e por isso, agora estão empatadas em primeiro lugar! Mas qual foi a mágica que Kafle usou para derrubar mais de 50 anos de consenso? Física básica! Kafle e sua equipe se concentraram em estrelas com altas velocidades orbitais e, fazendo um estudo delas, chegou à conclusão que uma estrela viajando a mais de 550 km/s (mais ou menos 2 milhões de km/h) conseguiria escapar da gravidade da própria galáxia. A gravidade, você sabe, tem origem na massa que um corpo celeste possui. Por exemplo, para um foguete escapar da atração gravitacional da Terra e mergulhar no espaço para Marte, digamos, precisa atingir a velocidade de 11 km/s mais ou menos. Essa grandeza é chamada de velocidade de escape e seu cálculo envolve a física básica de Newton. Esse é um cálculo baseado em princípios primeiros da física, sem depender de modelos intrincados em que se carrega muitas incertezas. Dessa forma, seus resultados são muito mais robustos. Kafle e seus colaboradores descobriram que para a velocidade de escape de Andrômeda estar nesse valor de 550 km/s ela precisaria ter um terço da matéria escura que se considerava até essa semana. E isso a faz encolher, ou emagrecer, a valores parecidos com os da Via Láctea. De fato, a velocidade de escape da Via Láctea é também por volta de 550 km/s. Isso modifica as coisas no Grupo Local, pois galáxias que são suspeitas de serem satélites de Andrômeda, na verdade não devem ser. Uma delas, talvez a mais importante, é a Galáxia do Triângulo que eu falei lá em cima. Mas tem outra implicação mais importante. Simulação mostra encontro entre as galáxias Andrômeda e a Via Láctea ICRAR Andrômeda e a Via Láctea estão em rota de colisão. Daqui a 5 bilhões de anos as duas devem se encontrar em algum ponto do espaço e vão se deformar, com uma passando dentro da outra, até formarem uma única galáxia esferoidal gigante. Mas esse era o cenário com Andrômeda mandando no Grupo Local. O processo em si deve ser esse mesmo. A maneira como as duas vão se misturar até que se transformem em uma única galáxia precisa ser revisada para uma situação em que nenhuma das duas se sobressai da outra. A primeira parte dessa simulação, o encontro entre as duas galáxias, está nessa imagem acima, mas o resultado final ainda precisa ser calculado. Vamos aguardar!


Pesquisa detecta febre amarela em Aedes albopictus em MG; capacidade de transmissão ainda é desconhecida
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 20:07:02 -0000

Mosquitos, conhecidos como ‘Tigres Asiáticos’, foram capturados nos municípios mineiros de Itueta e Alvarenga. Instituto fará estudo para confirmar capacidade de transmissão vetorial do mosquito. Originário das áreas tropicais e subtropicais da Asia, Aedes albopictus se espalhou por vários países do mundo SPL/Barcroft Media /Sinclair Stammers O Instituto Evandro Chagas (IEC) informou, nesta quinta-feira (15), que o vírus da febre amarela foi encontrado nos mosquitos Aedes albopictus, conhecidos como “Tigres Asiáticos”. A febre amarela silvestre é transmitida apenas pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Segundo o pesquisador e diretor do IEC Pedro Vasconcelos, o órgão capturou os insetos no primeiro semestre de 2017 em áreas rurais próximas aos municípios de Itueta e Alvarenga, em Minas Gerais, e, agora, analisará se eles podem transmitir a doença. O resultado da pesquisa deverá sair em até 60 dias. O pesquisador explicou que a presença do vírus no mosquito não significa, necessariamente, que o inseto possa exercer o papel de vetor da febre amarela e, por isso, afirmou que ainda não se pode falar em “risco”. Somente após a conclusão dos estudos, o instituto poderá afirmar se o Aedes albopictus tem essa capacidade de disseminar o vírus. “A gente não pode falar em risco. Esse é um mosquito mais silvestre que urbano. Como ele se adapta bem a áreas florestais, ele pode ter sido infectado por macacos, mas não se sabe ainda a capacidade vetorial dele", disse. De acordo com Vasconcelos, na prática, a presença do vírus no mosquito significa que o Aedes albopictus está suscetível ao vírus da febre amarela em ambiente silvestre ou rural. Se houver transporte para áreas urbanas, o inseto poderia servir de vetor de ligação entre os dois ciclos possíveis no Brasil (silvestre e urbano) em um ciclo rural, como ocorre na África. Não há casos de febre amarela urbana no país desde 1942. “Sempre existiu a possibilidade do Aedes albopictus vir a fazer esse papel de transmissor intermediário, ou seja, nas bordas das florestas e nas áreas periurbanas, mas nós não sabemos se ele tem a capacidade vetorial, de fato.” O Aedes albopictus está presente em diversas regiões do país e há competição entre essa espécie e o Aedes aegypti, que habita o meio urbano e é transmissor potencial da febre amarela, além da dengue, zika e chikungunya. “Encontrar o vírus no mosquito, por si só, não autoriza ninguém a afirmar que ele seja transmissor da febre amarela. Vários mosquitos são encontrados nas florestas infectados, mas somente os Haemagogus e o Sabethes são os transmissores da febre amarela silvestre”, completou o diretor do Instituto Evandro Chagas. Aedes albopictus AFP Photo/EID Mediterranee Urbana ou silvestre? A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o governo brasileiro distinguem dois "tipos" de febre amarela: a urbana e a silvestre. As duas são causadas pelo mesmo vírus e têm os mesmos sintomas. A diferença, como apontam os nomes, está no local de contágio. No caso da febre amarela silvestre, a transmissão é feita por mosquitos que vivem na beira de rios e córregos, como o Haemagogus e o Sabethes. Eles picam macacos infectados com a doença e "carregam" o vírus até humanos saudáveis. Na febre amarela urbana, esse mesmo processo é feito por mosquitos da cidade – em especial, o Aedes aegypti, que também transmite dengue, zika e chikungunya. Nesse caso, o vírus é "obtido" a partir de pessoas doentes, e não de macacos. Não há casos de febre amarela urbana no Brasil desde 1942 e também não há registro de mosquitos Aedes aegypti infectados com o vírus da febre amarela. A doença vem sendo transmitida por vetores que vivem em matas. Febre amarela: tudo o que você precisa saber Entenda como ocorre a infecção e quais são os sintomas da febre amarela Alexandre Mauro/Editoria de Arte G1


Diretor pede a Temer R$ 200 milhões para que projeto Sirius 'decole' ainda em agosto
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 19:04:24 -0000

Antônio José Roque da Silva afirma que verba suplementar é necessária para manter o cronograma da obra, e realizar a primeira volta de elétrons ainda este ano. Presidente Michel Temer e o ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, visitaram o projeto Sirius nesta quinta-feira (15) Fernando Evans/G1 Na rápida visita que fez esta quinta-feira (15) a Campinas (SP), onde conferiu pela primeira vez a obra do Sirius, o presidente Michel Temer recebeu do diretor do projeto o pedido de verba suplementar de R$ 200 milhões para manter o cronograma de construção do laboratório de luz síncroton de 4ª geração, projetado para ser o mais avançado do mundo e que tem a primeira volta de elétrons prevista para agosto deste ano. Diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncotron e do projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva disse que, apesar de "ainda ter 100% garantido os recursos necessários", confia no governo. Na reunião com o presidente, houve a assinatura do termo aditivo para liberação dos R$ 218 milhões previstos no orçamento deste ano, recursos que ele espera começar a receber ainda em fevereiro. "Nossa expectativa é que a primeira volta ocorra em agosto (...) mas depende tanto da liberação adequada da lei orçamentária e dessa suplementação de R$ 200 milhões. O presidente deu indícios fortes de que todo esforço será feito para conseguir essa suplementação." Obras do laboratório Sirius no CNPEM, em Campinas Renan Picoretti/CNPEM/LNLS Orçado em R$ 1,8 bilhão, o projeto Sirius já consumiu R$ 930 milhões desde 2012. Impressionado O projeto Sirius, laboratório de luz síncroton de 4ª geração em construção dentro do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), impressionou o presidente Michel Temer. "Acabamos de conhecer um projeto extraordinário, uma tecnologia avançadíssima que é o projeto Sirius. Recebemos todos uma explicação muito adequada, muito competente deste projeto, e isto revela as potencialidades do país. [...] Este fato deve ser divulgado não só ao Brasil, para que os brasileiros tenham cada vez mais orgulho do seu país, da sua pátria, mas, se possível, transmitido ao exterior", afirma Temer. Antônio José Roque da Silva, diretor do projeto Sirius Fernando Evans/G1 Atualmente há apenas um laboratório da 4ª geração de luz síncroton operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. O Sirius foi projetado para ter o maior brilho do mundo entre as fontes com sua faixa de energia. Quando o Sirius estiver em atividade - substituindo a atual fonte de luz usada no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron -, estima-se que uma pesquisa que atualmente é feita em 10 horas nos equipamentos mais avançados do mundo poderá ser concluída em 10 segundos. A abertura da nova fonte de luz síncrotron para pesquisadores está programada para 2019, e a conclusão total da obra, com 13 linhas operando, para 2020. Veja mais notícias de região no G1 Campinas


Tratamento com droga antioxidante preveniu transmissão sexual do zika, diz pesquisa 
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 19:00:01 -0000

Substância que combate radicais livres conseguiu diminuir quantidade do vírus no sêmen. Terapia também aumentou taxa de sobrevivência de fêmeas infectadas.  Esquema mostra uso da droga antioxidante in vitro. Tratamento diminuiu replicação viral Simanjuntak Y, et al. (2018) Uma potente droga antioxidante conseguiu prevenir a transmissão sexual do vírus da zika em cobaias, diz estudo publicado na "PLos Pathogens" nesta quinta-feira (15). A droga em questão é chamada de "Ebselen" e já está em testes clínicos para o tratamento do AVC (Acidente Vascular Cerebral). O medicamento é um potente antioxidante, categoria de substância conhecida por combater radicais livres. Os radicais livres são produtos de reações químicas que "vagam" pelo corpo sem função certa e costumam desestabilizar estruturas saudáveis quando em excesso. Em relação ao zika, hoje sabe-se que o vírus é transmitido tanto via Aedes Aegypti, quanto sexualmente: mais frequentemente do homem para a mulher. O que os cientistas verificaram foi a função do tratamento na prevenção da transmissão sexual. Como foram os testes Antes dos testes, cientistas demonstraram que o zika danifica o esperma por meio de um fenômeno conhecido como "estresse oxidativo" -- quando reações de oxigênio geram radicais livres potencialmente prejudiciais. A partir daí, viram que o uso de antioxidantes (moléculas que estabilizam os radicais, tirando-os de circulação), poderia ser útil para neutralizar a ação do zika sobre o sêmen. Para testar a eficácia da droga, pesquisadores infectaram camundongos com zika por via subcutânea. A progressão do zika foi avaliada em testes e a presença no esperma foi verificada. Após três dias da infecção, o zika foi verificado na membrana de células, afetando o número de espermatozoides (que se apresentaram em número significativamente menor quando comparado ao grupo controle). Após a injeção de Ebselen, o número de espermatozoides afetados pelo vírus diminuiu. Também foi verificada menor presença do vírus no cérebro, mas não na medula das cobaias. A droga apresentou "atividade em tecidos específicos e, por isso, sua ação está associada com sua capacidade de reduzir o estresse oxidativo e resposta inflamatória ao zika", escreveram os autores. A transmissão sexual Por fim, para verificar se o tratamento impedia a transmissão sexual, cientistas injetaram o sêmen de ratos machos infectados com zika em fêmeas. Metade das fêmeas que recebeu sêmen infectado sem tratamento morreu, relata o estudo. Já as fêmeas que receberam sêmen com tratamento, sobreviveram. Os autores também testaram outros antioxidantes, como a vitamina C. A taxa de sobrevivência das fêmeas não melhorou, mas elas sobreviveram por mais tempo.


Com baixa adesão, campanha contra febre amarela vacina 19% do público-alvo em RJ e SP
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 18:00:58 -0000

Dados são do governo federal. Segundo balanço nacional, já são 118 mortes desde julho por causa da doença. Vacinação contra a febre amarela no Rio e em SP só atinge 19% do público alvo Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro vacinaram 3,9 milhões de pessoas na campanha de vacinação contra a febre amarela até o momento, informou nesta quinta-feira (15) o Ministério da Saúde. O dado corresponde a 19,2% do público que deveria ser imunizado nos dois estados. A previsão do Ministério da Saúde é vacinar 10,3 milhões em 54 municípios de São Paulo e 10 milhões em 15 municípios do Rio de Janeiro. Esta é a campanha em que se adotou o uso da vacina fracionada. Os números incluem as aplicações fracionadas e inteiras. Segundo o boletim do órgão, Rio de Janeiro vacinou 1,2 milhão de pessoas (12% do público-alvo). Em São Paulo, 2,7 milhões receberam a imunização (26% do público-alvo). Por causa da baixa procura da população pela vacinação, o estado do Rio decidiu prorrogar a campanha. Em São Paulo, a previsão para o término da empreitada era no próximo sábado (17), quando ocorre o Dia D de Mobilização. De acordo com o Ministério da Saúde, o estado avaliará a necessidade de estender a imunização após essa data. A baixa adesão à campanha motivou o órgão a reforçar a importância da vacinação. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, alertou para a necessidade de ampliar a cobertura vacinal. “Fazemos um apelo para que a população compareça às unidades de saúde. A campanha está pronta. É importante que a população compareça para que a nós alcancemos a cobertura vacinal prevista de acima de 90% nessas áreas onde as vigilâncias estaduais determinaram que deve haver vacinação de pessoas.” Na Bahia, a campanha de fracionamento da vacina começará na próxima segunda. O estado prevê imunizar 3,3 milhões de pessoas em oito municípios. Infecções e mortes O ministério também divulgou o balanço atualizado dos casos e mortes por febre amarela no Brasil. São 409 casos confirmados da doença, sendo que 118 pessoas morreram devido à infecção no período de 1º de julho de 2017 a 15 de fevereiro de 2018. Até a última semana, o balanço era de 98 mortes e 353 casos. No mesmo período do ano passado, foram confirmados 532 casos e 166 mortes, segundo o ministério. Os estados mais afetados são São Paulo e Minas Gerias, com 46 e 44 óbitos confirmados, respectivamente. O Rio de Janeiro detectou 27 mortes por febre amarela, seguido do Distrito Federal, com apenas uma pessoa. Minas Gerais ainda não encaminhou os dados atualizados ao ministério e, por esse motivo, os números podem mudar ao longo da semana. Um balanço estadual divulgado pelo governo mineiro nesta quinta indica que já foram 76 as mortes no estado. Os dados sobre doenças infecciosas divulgados pelo governo federal podem diferir das informações dadas por governos estaduais porque leva um tempo para que os números sejam consolidados nacionalmente. Sintomas da infecção As primeiras manifestações da febre amarela são inespecíficas (já que podem ser confundidas com outras doenças). As pessoas atingidas podem apresentar, no entanto, febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias, mas a maioria das pessoas melhora após esse período, de acordo com informações da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Já a forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A doença é transmitida quando um mosquito pica um humano ou macaco infectado e, depois, com o vírus em seu organismo, volta a picar uma pessoa ou animal. Entenda como ocorre a infecção e quais são os sintomas da febre amarela Alexandre Mauro/Editoria de Arte G1 Devo me vacinar agora? Infografia: Roberta Jaworski/G1


Vacina de célula-tronco 'ataca' e previne três tipos de câncer em estudo
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 17:00:53 -0000

Injeção produziu forte resposta imunológica em cobaias com câncer de mama, de pulmão e de pele.  Imagem de células-tronco pluripotentes crescendo. Em laboratório, células adultas são ensinadas a se diferenciarem em qualquer tipo de célula. Rio Sugimura Uma vacina de célula-tronco conseguiu atacar tumores de mama, de pulmão e de pele em cobaias. A injeção também impediu que o câncer voltasse em animais que tiveram tumores removidos. O feito foi possível porque as células-tronco foram utilizadas para ensinar o sistema imunológico a lutar contra o tumor. O estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, foi publicado na "Cell Stem Cell" nesta quinta-feira (15). A célula-tronco que deu origem à vacina é do tipo pluripotente: células adultas que são reprogramadas para "imitar" células-tronco embrionárias e se diferenciar em outras células do corpo. No estudo, 75 ratos receberam versões da vacina. Desses, 70% rejeitaram completamente as células de câncer; já os 30% restantes, apresentaram células significativamente menores. Essa mesma eficácia, segundo o estudo, se repetiu nos cânceres de pulmão e de pele. O que são células-tronco Por que a célula-tronco foi eficaz Antes dos testes, cientistas verificaram que células-tronco apresentam estruturas específicas (antígenos) que também estão presentes em células cancerígenas. Com isso, hipotetizaram que essas células poderiam funcionar como uma vacina e ensinar o sistema imune a lutar contra o tumor. Depois dos testes em cobaias, foi isso o que se verificou, dizem os autores: as células-tronco ativaram células T (de defesa) a reconhecer o tumor por meio de estruturas presentes em sua superfície. Com isso, o tumor foi entendido como um "invasor" e atacado. Os autores esperam que, no futuro, células da pele e do sangue de um paciente possam ser reprogramadas para habilitar o sistema imunológico a lutar contra o câncer.


OMS recomenda menor uso de medicamentos durante o parto 
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 15:40:42 -0000

Entidade diz que drogas são utilizadas quando o ritmo de dilatação do colo do útero é menor que 1 cm por hora, mas leitura é inadequada.  OMS pede a eliminação da referência de um centímetro por hora na dilatação do colo do útero Reprodução/TV Fronteira A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou nesta quinta-feira (15) que menos medicamentos sejam administrados durante o parto. Segundo a entidade, drogas são utilizadas em função de uma leitura inadequada do ritmo de dilatação do colo do útero. Desde a década de 1950, uma mulher cujo ritmo de dilatação do colo do útero é mais lento do que um centímetro por hora é considerado "anormal", indicou o médico Olufemi Oladapo, do Departamento de Saúde Reprodutiva da OMS, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (15) em Genebra. Quando os médicos e a equipe enfrentam um trabalho mais lento do que essa referência, "a tendência é agir", seja com uma cesariana, ou usando medicamentos como a oxitocina, que acelera o trabalho, explicou. Na nova orientação, a OMS pede a eliminação da referência de um centímetro por hora. "Pesquisas recentes mostraram que esta linha não se aplica a todas as mulheres e que cada nascimento é único", disse Oladapo, acrescentando que "a recomendação que fazemos agora é que essa referência não deve ser usada para identificar mulheres em risco". Embora a taxa de cesariana varie de acordo com a região do mundo, a OMS vê um aumento geral nesta prática, o que considera perturbador. A OMS também está preocupada com o fato de as intervenções usadas anteriormente para evitar partos complicados terem-se tornado práticas comuns. "A gravidez não é uma doença, e o nascimento é um fenômeno normal que você pode esperar que a mulher complete sem intervenção", defendeu Oladapo. "Mas o que temos visto nas últimas duas décadas são mais e mais intervenções médicas feitas em vão", acrescentou. A nova diretriz da OMS estipula que, para uma mulher que vai dar à luz pela primeira vez, todo trabalho de parto que não durar mais de 12 horas deve ser considerado normal. Para as seguintes gestações, o número cai para menos de 10 horas.


Médicos retiram 14 vermes de um único olho de mulher nos EUA
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 13:28:02 -0000

Jovem de 26 anos praticava equitação no estado de Oregon quando foi infectada. Caso foi publicado no 'American Journal of Tropical Medicine and Hygiene'. À esquerda, sinais de vermes identicados no olho; na imagem da direita, a Thelazia após ser enviada para laboratório American Journal of Tropical Medicine & Higyiene/CDC Uma mulher de 26 anos que praticava equitação no estado de Oregon, nos Estados Unidos, teve o olho esquerdo infectado por pelo menos 14 vermes do tipo Thelazia gulosa. O parasita é encontrado mais comumente em animais e nunca antes foi relatado no olho humano. O caso foi publicado no "American Journal of Tropical Medicine and Hygiene". Segundo o artigo, a mulher chegou ao hospital com irritação no olho esquerdo e reportava a sensação de "um objeto estranho" no olho. Ela mesma chegou a visualizar a saída de um dos vermes. Depois, quando procurou um médico local, mais dois parasitas foram retirados. Ainda, ao procurar um oftalmologista no dia seguinte, outros três vermes foram retirados. Como a irritação não cessava, a paciente foi orientada a procurar um especialista em doenças infecciosas e mais parasitas foram retirados -- totalizando a retirada de 14 vermes em 20 dias. Todos os parasitas foram destinados para análise no Centro de Controle de Doenças nos Estados Unidos (CDC). Segundo relatório do órgão, todos os vermes eram fêmeas, com o maior medindo cerca de 11 milímetros. Os parasitas foram identificados como pertencentes à espécie Thelazia gulosa, que costuma infectar o globo ocular de animais, mas não tinha sido registrado em seres humanos. Sobre vermes de olhos A infecção costuma se manifestar na forma de inflamações e lacrimejamento excessivo. Ocasionalmente, os vermes migram para a superfície do olho e causam cicatrizes na córnea, opacidade e, eventualmente, cegueira. "Casos de infecções parasitárias nos olhos são raros nos EUA, e este caso revelou uma espécie da Thelazia que nunca foi relatada em seres humanos ", disse Richard Bradbury, principal autor do estudo e pesquisador da Divisão de Doenças Parasitárias do CDC, em nota sobre o estudo. "Anteriormente, pensava-se que apenas duas espécies da (Thelazia) infectavam olhos humanos. agora, temos de adicionar uma terceira", concluiu, em nota. Os vermes foram removidos com pequenas pinças e o olho da mulher foi irrigado. Em outros casos divulgados na Ásia e na Europa, há relatos do uso de ivermectina (tipo de droga anti-parasitária) para conter a infecções mais graves.


Como preparar as crianças para as aulas
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 12:40:53 -0000
Horário, sono, alimentação, atividade física... Como voltar à rotina? Veja as dicas das especialistas. Bem Estar - Edição de quinta-feira, 15/02/2018 Na volta às aulas, os pais têm sempre um desafio: ajudar as crianças a voltarem à rotina. Horário, sono, alimentação, atividade física... O Bem Estar desta quinta-feira (15) conversou com a consultora e pediatra Ana Escobar e a médica do esporte e pediatra Ana Lúcia de Sá Pinto. Elas deram dicas e explicaram a importância da atividade física nessa fase. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as crianças entre cinco e 17 anos devem dormir nove horas por dia. Isso porque é durante o sono que as células limpam as impurezas para estarem prontas para o aprendizado do dia seguinte. Também é durante o sono que a memória é consolidada e tudo que foi visto no dia é guardado. Além disso, o sono reparador deixa a criança mais disposta e ativa. E o que pode atrapalhar o sono? Os eletrônicos (que devem ser interrompidos pelo menos duas horas antes de dormir), esporte à noite e dormir muito tarde. Algumas crianças não estão “acordadas” quando começam as aulas. Uma forma de minimizar o sono é ter uma boa higiene do sono, dormindo sempre no mesmo horário, sem atividades à noite e ter um quarto propício ao sono. Algumas crianças acabam trocando o turno escolar. Antes estudavam à tarde e mudam pro turno da manhã, por exemplo. Para se adaptar à nova rotina, o ideal é começar a acordar mais cedo uma semana antes do início das aulas. A dica é fazer o cálculo reverso: se a criança vai acordar às seis da manhã, contar nove horas para trás para saber o horário que precisa dormir. Escola aposta em aulas de educação física diferentes Educação física Muitas crianças fogem da educação física, mas ela traz vários benefícios, tanto do ponto de vista social, quanto do ponto de vista físico. A criança aprende a conviver em grupo, respeitar regras e também ganha força, melhora a qualidade óssea e diminui o risco cardiovascular. A OMS recomenda duas horas diárias de atividade física para crianças de dois a cinco anos e uma hora por dia para as de cinco a dezessete anos. Uma dica para a escola melhorar a atividade física é fazer as crianças caminharem no intervalo das aulas. É importante quebrar o tempo sedentário. Além da escola, a família também precisa estimular a criança. Veja as dicas das nossas especialistas: Pegue escada comum ao invés da rolante ou do elevador Vá a pé para a farmácia, mercado, padaria e leve a criança Vá passear com o cachorro Leve a criança em um parque ou praça no final de semana Leve a criança para andar de bicicleta, skate, patins Começar o dia com exercício ajuda na mudança de horário escolar Veja dicas nutritivas para a lancheira das crianças


EUA aprovam exame de sangue capaz de detectar lesão cerebral microscópica
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 11:28:41 -0000

Novo teste detecta concussão em até quatro horas e vai diminuir necessidade de tomografia.  Teste foi capaz de detectar o problema em 97,6% dos pacientes com suspeita para concussão Jarmoluk/Pixabay Os Estados Unidos autorizaram a venda de exames de sangue capaz de detectar com rapidez quando um paciente está com concussão, lesão cerebral microscópica que ocorre geralmente após traumas na cabeça. A nova opção vai reduzir a necessidade de tomografias, exames mais caros que emitem quantidade significativa de radiação, afirma o FDA, órgão americano similar à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Normalmente, quando um paciente bate a cabeça em um acidente, ele é submetido a um teste neurológico, seguido da tomografia. O exame é pedido para ver se há lesões no tecido cerebral. A vantagem do novo teste de sangue é que, se não forem detectadas lesões, a tomografia seria desnecessária. Isso seria uma vantagem em instituições que não possuem o aparelho, que é mais caro e demanda infraestrutura para ser utilizado. "A disponibilidade do exame vai ajudar profissionais de saúde a determinar a necessidade de tomografia em pacientes com suspeita de concussão", afirmou nota da agência americana. A aprovação do teste faz parte de um pacote de iniciativas do FDA que visam reduzir à exposição de radiação de pacientes em exames de imagem. Segundo a agência, os Estados Unidos tiveram 2.8 milhões de hospitalizações por lesões cerebrais em 2013. No mesmo período, os traumas contribuíram para a morte de aproximadamente 50 mil pessoas. Teste fica pronto em 4 horas O "Brain Trauma Indicator" (Indicador de Trauma Cerebral) avalia a ocorrência de uma concussão pela medição de níveis de proteína conhecidas como UCH-L1. Essas proteínas são liberadas na corrente sanguínea quando há uma lesão cerebral -- e o teste possui marcadores para procurar justamente essas estruturas. Segundo o FDA, é possível detectá-las em até 12 horas da lesão. Para a aprovação do exame, a agência americana avaliou estudo multicêntrico com 1947 pacientes que apresentavam suspeita de concussão. Os resultados do exame são liberados em 4 horas. O teste foi capaz de detectar o problema em 97,6% dos pacientes. O exame foi produzido pela desenvolvido pela Banyan Biomarkers, empresa americana fundada em 2002 por pesquisadores da Universidade da Flórida. O custo do teste não foi divulgado.


Aos 65 anos, Liam Neeson ameaça se despedir dos filmes de ação
Quinta feira, 15 Fevereiro 2018 08:01:07 -0000

Há uma década socando bandidos, ele se tornou um ícone do gênero Estreia no dia 8 de março “O passageiro” (no título original, “The commuter”), com direito aos rios de adrenalina das últimas produções de Liam Neeson. Desta vez, é um ex-policial que há dez anos virou um pacato vendedor de seguros. No trajeto habitual de trem, conhece uma mulher sedutora e misteriosa, interpretada por Vera Farmiga, que inicia uma conversa aparentemente sem segundas intenções. Depois de saber (ou confirmar?) que ele repete aquela viagem há uma década e conhece pelo menos de vista quase todos que fazem o trajeto, ela propõe uma recompensa para descobrir que passageiro não deveria estar ali – e isso o joga dentro de uma conspiração criminosa. Foi em 2008, com o primeiro “Busca implacável” – ao todo foram três – que sua carreira deu uma virada: aos 55 anos, na pele de Bryan Mills, um agente da CIA aposentado que tinha que salvar a família de vilões implacáveis, Neeson se tornou um ícone dos filmes de ação. Em setembro do ano passado, no Festival Internacional de Cinema de Toronto, ele anunciou sua despedida do gênero. “Gente, já estou com 65 anos! Daqui a pouco os espectadores vão dizer: ‘fala sério!’”, afirmou. Foi uma década socando bandidos e a decisão poderá dar ao público a chance de vê-lo em obras mais sofisticadas, embora os convites continuem e possam fazê-lo mudar de ideia. Liam Neeson: aos 65 anos, ele ameaça deixar os filmes de ação, que se tornaram sua marca registrada há dez anos Divulgação A genética pode ter desempenhado papel importante na carreira de Neeson, nascido na Irlanda do Norte em junho de 1952. No entanto, a vida não foi um mar de rosas para ele, que ralou como motorista de caminhão e boxeador amador. Na década de 1970, já estava no teatro, mas o sucesso internacional só veio com “A lista de Schindler”, em 1993, onde interpretava Oskar Schindler, o empresário alemão que, ao empregar judeus em sua fábrica, acabou salvando-os do Holocausto. Em 2009, quando começava a colher os frutos dos filmes de ação, uma tragédia se abateu sobre sua família: sua mulher, a atriz Natasha Richardson, com quem teve dois filhos, morreu vítima de um acidente de esqui no Canadá. Em 2014, numa entrevista à CBS, o ator disse que, depois de cinco anos, era como se a morte dela não fosse real: “quando a campainha toca, ainda acho que vou ouvir sua voz”. O casal tinha um pacto: se algo acontecesse e um dos dois ficasse em estado vegetativo, o outro não prolongaria sua vida artificialmente. O coração, o fígado e os rins de Natasha foram doados e ele se ocupou dos filhos adolescentes. O mais velho, Michael, dá os primeiros passos como ator.


Cientistas observam 'chuva de elétrons' que dá origem a fenômeno brilhante no céu; veja vídeo 
Quarta feira, 14 Fevereiro 2018 18:00:53 -0000

Pesquisadores descrevem movimento de elétrons que levam à aurora pulsante, evento multicolorido e brilhante na magnetosfera. Relato foi publicado na 'Nature' nesta quarta-feira.  Cientistas observam chuva de elétrons que dá origem à aurora O fenômeno que dá origem à aurora pulsante foi observado diretamente pela primeira vez em estudo publicado nesta quarta-feira (14) na revista “Nature”. A aurora é um fenômeno visual impressionante, de várias cores, que ocorre geralmente no céu de regiões polares. Aurora Boreal é vista perto da vila de Pallas, em Lapónia, na Finlândia Alexander Kuznetsov/All About Lapland/Reuters No caso da aurora pulsante, o evento ocorre na magnetosfera, região da atmosfera em que o movimento de elétrons é comandado pelo campo magnético terrestre. O campo magnético da Terra é a capacidade que o planeta tem de atuar como um imã gigante, exercendo influência nos objetos ao seu redor. A hipótese de cientistas até agora é que o fenômeno da aurora pulsante surge pelo encontro de massas subatômicas com ondas eletromagnéticas conhecidas como coros. A espaçonave da missão ERG (Exploration of energization and Radiation in Geospace) observou ondas de coro e elétrons dispersos na magnetosfera, a origem das auroras de pulsação. Os elétrons dispersos precipitaram na atmosfera resultando em iluminação auroral 2018 ERG Science Team O que os cientistas conseguiram observar foi uma evidência direta da origem da aurora pulsante: uma verdadeira chuva de elétrons envolvida em ondas de plasma (estado físico da matéria similar ao gás, mas com partículas ionizadas). O estudo teve como primeiro autor Satoshi Kasahara, pesquisdor da Universidade de Tóquio. Fenômeno da aurora boreal vista no município de Alto Paraíso Dinalva Alves Rezende/Arquivo pessoal Kasahara e colegas também observaram que as ondas de coros fizeram com quê os elétrons se dirigissem à atmosfera. "Nós, pela primeira vez, observamos diretamente a dispersão de elétrons por ondas de coro na atmosfera da Terra", diz Kasahara, em nota sobre o estudo. " O fluxo de elétrons foi suficientemente intenso para gerar aurora pulsante." As evidências foram obtidas a partir de imagens sofisticadas de satélite de uma espaçonave posicionada em uma linha do campo magnético e também pelo estudo da atmosfera terreste.


Traficantes de órgãos 'roubam' líquido cerebral de 12 mulheres no Paquistão
Quarta feira, 14 Fevereiro 2018 17:25:14 -0000
Suspeitos enganaram as vítimas dizendo que tinham de retirar amostras de sangue para um programa de assistência financeira do governo paquistanês. A polícia do Paquistão prendeu quatro pessoas na província de Punjab acusadas de roubar e traficar líquor, líquido que circula entre o cérebro e a medula espinhal. Os suspeitos roubaram o líquido cefalorraquidiano de 12 mulheres - entre elas uma adolescente -, disse a polícia ao serviço urdu da BBC. Depois, tentaram vender o material no mercado negro. Os traficantes enganaram as vítimas dizendo que tinham de retirar amostras de sangue para um programa de assistência financeira do governo de Punjab, a região mais populosa do país. As autoridades descobriram o esquema depois que um homem notou que sua filha de 17 anos se sentia fraca após o procedimento. "Parece que essa gangue atua na área de Hafizabad (cidade paquistanesa) há algum tempo", disse o policial Ashfaq Ahmed Khan à BBC. Segundo Khan, um dos membros da quadrilha se apresentava como funcionário de um grande hospital local. Ele dizia às mulheres que necessitava de amostras de sangue para que elas se tornassem elegíveis ao programa de assistência do governo. "Mas em vez de levá-las ao hospital para obter suas 'amostras de sangue', ele conduzia as vítimas à casa de outro membro da gangue para realizar o procedimento de retirada do líquor", afirma Khan. Encontrado ao redor do cérebro e da medula espinhal, o líquido transparente protege a região contra traumas e lesões. Ele é retirado com uma agulha diretamente da coluna vertebral - normalmente, a punção é realizada na região lombar, como parte de exames prescritos para diagnosticar doenças que afetam o sistema nervoso, por exemplo. Não está claro por que o líquor está circulando no mercado negro do Paquistão. O Ministério da Saúde do país afirmou que criou um comitê para investigar o caso - os quatro membros da quadrilha continuam presos. Não é a primeira vez que uma fraude relacionada à saúde ganha as manchetes no país. No final de 2016, a polícia resgatou 24 pessoas mantidas reféns por uma gangue de tráfico de órgãos na cidade de Rawalpindi. O Paquistão tornou ilegal a venda de órgãos humanos em 2010, mas especialistas dizem que o país segue como um dos principais pontos de tráfico.


Por que as mulheres sentem mais frio que os homens
Quarta feira, 14 Fevereiro 2018 16:55:01 -0000

Diferenças de temperatura na pele, especialmente nas mãos e nos pés, explicam variação no grau de conforto com o ambiente; fatores como hormônios e gordura corporal também influenciam. Fatores como hormônios e gordura corporal também explicam por que mulheres sentem mais frio. BBC Brasil As mulheres sentem mais frio do que os homens? Sim. E a explicação é científica. Confira o vídeo. "Quando você observa o homem médio e a mulher média, as mulheres realmente sentem mais frio. Há vários receptores pelo nosso corpo que respondem ao calor e ao frio", diz a fisiologista Clare Eglin. "Os mais sensíveis estão localizados em nossa pele. Se você medir as temperaturas internas do homem e da mulher, verá que são parecidas. Mas são as diferenças na temperatura da pele, especialmente nas mãos e nos pés, que realmente explicam o nosso grau de conforto com o ambiente que nos cerca", acrescenta. Eglin explica que "em ambientes frios, as mulheres apresentam maior vasoconstrição". "Ou seja, suas veias se estreitam para reduzir o fluxo de sangue e evitar a perda de calor. Então, as mulheres tendem a ter mãos mais frias e pés mais frios", conta. "Portanto, para ter o mesmo nível de conforto, precisam de um ambiente ligeiramente mais quente", acrescenta. Fatores como hormônios e gordura corporal também afetam por que mulheres sentem mais frio. Mas por que os homens não apresentam tanta vasoconstrição quanto elas? "Porque os homens são normalmente maiores, têm maior massa muscular. Eles produzem mais calor e, assim, não precisam reduzir o fluxo de sangue à pele para manter sua temperatura interna", diz Eglin.


A criativa solução da Noruega para acabar com o lixo plástico nos oceanos
Quarta feira, 14 Fevereiro 2018 16:47:07 -0000

Ali, quase 600 milhões de garrafas foram recicladas em 2016 - uma taxa de reciclagem de 97%, ante os 50% registrados no Brasil. Na Noruega, lojas instalam máquinas que recompensam clientes que devolvem garrafas plásticas BBC Brasil A Noruega tem o que especialistas consideram o melhor sistema de reciclagem de garrafas plásticas do mundo. Veja o vídeo. Ali, quase 600 milhões de garrafas foram recicladas em 2016 - uma taxa de reciclagem de 97%. No Brasil, para efeitos de comparação, a proporção é de 50%. No país europeu, funciona assim: lojas instalam máquinas que recompensam clientes que devolvem garrafas plásticas. "Quando você compra uma garrafa de refrigerante... você paga uma coroa norueguesa a mais e, quando a colocamos na máquina, recuperamos o dinheiro", diz uma cliente. O esquema reduz a necessidade de se produzir mais plástico. "Uma garrafa pode ser reciclada mais de uma vez. Na verdade, 12 vezes. Separamos as transparentes das coloridas. As transparentes são usadas para criar novas garrafas", diz Kjell Clav Maldum, diretor da Infinitum, de reciclagem de embalagens plásticas. "As coloridas são usadas para produzir outros materiais plásticos", completa ele. Mas quem paga por isso? As fabricantes de bebidas. É voluntário, mas quem adere ao sistema paga menos imposto.


Quanto o câncer custa à economia do Brasil?
Quarta feira, 14 Fevereiro 2018 14:39:07 -0000

Mortes na população economicamente ativa representam a perda bilhões de reais todos os anos, aponta estudo que analisou dados dos Brics, grupo de emergentes do qual o Brasil faz parte. Na média, cada vida perdida por câncer no Brasil gera uma perda econômica de US$ 53,3 mil - sem contar os gastos com tratamento de saúde Getty Images O impacto humano do câncer é bem conhecido: são mais de 225 mil mortes no Brasil a cada ano. Mas agora, um estudo inédito também mediu as perdas que esse mal impõe à economia, levando em conta o recuo na produtividade causado pelos 87 mil óbitos registrados na população economicamente ativa - ou seja, pessoas com idade entre 15 a 65 anos. A estimativa é de que o país sofra um prejuízo de US$ 4,6 bilhões anuais, o equivalente a R$ 15 bilhões e a 0,21% de toda a riqueza gerada. O cálculo considera a renda média dos profissionais, quantos anos deixaram de ser trabalhados e com quanto eles poderiam ter contribuído economicamente por meio de salário e emprego até o final da carreira. Não foram incluídas crianças, pessoas que estavam em idade de aposentadoria e os gastos de saúde com os doentes. "Se fossemos abraçar tudo (prejuízo econômico mais gastos com internação e medicamentos), estimo que as perdas totais seriam pelo menos o dobro do que avaliamos", afirma Isabelle Soerjomataram, coautora da pesquisa e membro da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC, na sigla em inglês), órgão ligado às Nações Unidas. O estudo analisa as perdas causadas pelo câncer à economia dos Brics (grupo de emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e foi divulgado neste mês pela publicação científica "Cancer Research Epidemiology". Foram usados dados equalizados de 2012, que permitiram analisar o impacto econômico da doença para além dos indicadores triviais de incidência, mortalidade e sobrevivência. Mais de dois terços dos 8,2 milhões de mortes anuais por câncer no mundo ocorrem em países de renda média e baixa - só os Brics concentram 42% desse total, ou seja, quatro em cada dez casos. Os prejuízos às economias desses países somam US$ 46,3 bilhões (aproximadamente R$ 150 bilhões) por ano, segundo os parâmetros da pesquisa. O custo das mortes por tabagismo no Brasil foi estimado em US$ 402 milhões por ano Getty Images Tabaco, obesidade e doenças infecciosas A maior parte das perdas no Brasil ocorre por causa do câncer de pulmão, que tem o cigarro entre as principais causas. Só o custo das mortes por tabagismo foi estimado em US$ 402 milhões (R$ 1,3 bilhão) ao ano. A obesidade também eleva o número de casos. "Taxas de obesidade que crescem rapidamente correspondem no Brasil a 2% dos casos de câncer em homens e quase 4% em mulheres. Isso aplicado aos resultados indica até US$ 126 milhões (mais de R$ 400 milhões) em perdas de produtividade por ano", diz o estudo. Outra característica brasileira é o alto número de casos de origem infecciosa. "Em comparação com países desenvolvidos, temos uma alta incidência de tumores de origem infecciosa. É o caso do câncer de colo de útero por HPV, por exemplo", afirma a Marianna de Camargo Cancela, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que também participou do estudo. "Também temos incidência de cânceres típicos de países desenvolvidos. Essa transição é puxada pelo enriquecimento e envelhecimento da população", explica a pesquisadora. Com isso, no Brasil há "a coexistência de doenças típicas de países em desenvolvimento e de países desenvolvidos". A diferença de participação entre homens e mulheres no mercado de trabalho também foi considerada no estudo, revelando diferenças nas perdas econômicas de acordo com o gênero. Na média, cada vida perdida por câncer no Brasil na população economicamente ativa gera uma perda média de US$ 53,3 mil (R$ 176 mil). Mas no caso das mulheres, são US$ 44 mil (R$ 145 mil), e no dos homens, US$ 60 mil (R$ 197 mil). "A diferença entre o custo de uma vida feminina e uma masculina não chegou a nos surpreender. Usamos dados como renda, desemprego, participação na força de trabalho. São indicadores tradicionalmente mais baixos para mulheres, especialmente em países em desenvolvimento", afirmou a coordenadora da pesquisa, Alisson Pearce, do Registro Nacional de Câncer da Irlanda. Brics sofrem com tipos de câncer mais comuns tanto em países pobres como nos ricos Getty Images Envelhecimento e prevenção De acordo com os pesquisadores, a abordagem mais inteligente para lidar com o problema é a prevenção. "Por isso estamos focando em recomendar investimentos nessa área", diz Soerjomataram. As tendências de mudanças no Brasil no longo prazo dependem do tipo de câncer. "A incidência de câncer de pulmão, por exemplo, tem diminuído, o que é um reflexo de políticas bem-sucedidas de controle do tabagismo. Então podemos dizer que no Brasil, em relação ao câncer por tabagismo, a tendência é melhorar", avalia Pearce. "Por outro lado, com o envelhecimento da população, a incidência geral de câncer aumenta. Daí a necessidade de investir em políticas públicas que atendam à população como um todo", afirma. "O Brasil está transacionando para um perfil de país rico. Por isso, eu imagino que o problema do câncer não vai diminuir no futuro. Se nada for feito, na verdade, o problema vai aumentar. O que estamos vendo é apenas o começo em termos de perdas. Elas certamente crescerão", complementa Soerjomataram. Uma pesquisa do Inca prevê que 1,2 milhão de novos casos da doença devem surgir no Brasil no período 2018-2019. Como o progresso impacta os casos de câncer Os US$ 46,3 bilhões perdidos anualmente pelos Brics por causa da doença correspondem a 0,33% de seu Produto Interno Bruto somado. Nos países desenvolvidos, porém, as perdas são ainda maiores - chegam a 1% do PIB nos EUA, por exemplo. Assim como o Brasil, os demais emergentes passam por uma transição epidemiológica, fase em que os tipos mais comuns de câncer deixam de ser predominantemente associados a causas inflamatórias e infecciosas, o que é típico dos países em desenvolvimento, e passam a ser causados por estilos de vida nocivos como o sedentarismo, sobrepeso e tabagismo, o que é característico dos países desenvolvidos. "Quando ocorre uma transição econômica, em diversos países se observa um aumento nos casos de câncer que estão correlacionados aos fatores de padrão de vida. Há uma forte redução no número de casos de câncer causados por infecções. Essa mudança se observa em um ritmo acelerado nos emergentes, assim como é acelerado o crescimento econômico deles", explica Soerjomataram. Apesar de apresentarem semelhanças, cada país do bloco emergente tem suas particularidades na área da saúde. "As diferenças entre os Brics foram a coisa mais surpreendente que observamos. Apesar de terem perfis econômicos parecidos, sofrem com tipos de câncer distintos. Isso destaca a importância de desenvolver estratégias específicas para os problemas locais", diz Pearce. Na Rússia e na África do Sul, as maiores perdas econômicas são causadas pelo câncer de pulmão - o mesmo caso do Brasil. Já na China, o câncer que gera mais perdas por mortes é o de fígado, enquanto que na Índia são os tumores relacionados à cavidade oral.


Como e quando falar sobre sexualidade com as crianças
Quarta feira, 14 Fevereiro 2018 13:18:09 -0000

Segundo sexólogos, é importante 'aposentar a cegonha' e começar a educá-las sobre o tema, aos poucos, antes dos dez anos - tanto para evitar problemas como gravidez na adolescência como para ensinar a identificar o que é abuso. Em vez de inventar histórias, é preciso explicar com naturalidade como funciona a reprodução Getty Images O filho da empresária Nathália Paschoalli, Enrico, tem apenas cinco anos, mas já faz inúmeras perguntas sobre sexualidade desde muito pequeno. "Assim que começou a formular frases, o Enrico perguntava porque a mamãe era diferente do papai, por que o 'pipi' dele era menor que o do papai, por que ele não tinha pelos no corpo etc.", conta a empresária. As perguntas do pequeno começaram a ficar mais complexas desde que ele fez quatro anos. "Enrico agora tem pedido a nós um irmãozinho e pediu se podia ele carregar o irmão na barriga. Aí teve o drama de descobrir que meninos não podem engravidar." A naturalidade com que Nathália e o marido tentam explicar as questões de sexualidade para o filho vem da criação que a empresária recebeu da família. Filha de enfermeira e professora de enfermagem, Nathália conta que sempre acompanhava a mãe em palestras sobre Aids e doenças sexualmente transmissíveis. "A educação sexual que recebi dos meus pais foi muito prática, informativa e pouco romantizada", lembra. Nem toda pessoa, contudo, recebe educação sexual durante a infância. Para muitas famílias, o tema ainda é tabu dentro de casa. A curiosidade da criança deve ser a medida para saber quando conversar sobre o assunto Arquivo Pessoal Para o médico Jairo Bouer, educador e pesquisador sobre educação sexual, a falta de informação sobre sexualidade entre os jovens no Brasil contribui para que sejam altos os números de transmissão do HIV, o vírus causador da Aids, e gravidez precoce entre eles, mesmo com a pílula do dia seguinte e inúmeros meios contraceptivos disponíveis à população. "Hoje, crianças e adolescentes podem pesquisar suas dúvidas na internet ao invés de perguntar aos pais. Por isso, de modo geral, vejo que as crianças se deparam mais cedo com o tema da sexualidade. O problema não é buscar a informação, e sim se deparar com informações erradas e inadequadas para cada fase de desenvolvimento da criança", diz Bouer. O último relatório da Unaids, programa das Nações Unidas contra a Aids, mostrou que o Brasil é responsável por 40% das novas infecções por HIV na América Latina. Dados de 2017 do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostraram que uma em cada cinco crianças no Brasil é filha de mãe adolescente, sendo que 58% dessas adolescentes não estudavam quando engravidaram. Segundo dados de 2006 a 2015 da UNFPA, órgão da ONU responsável por questões populacionais, o país tem a 7ª maior taxa de gravidez na adolescência na América do Sul. "A educação sexual deve começar antes dos dez anos", defende Bouer. "Somente com informação correta aos adolescentes, sem tabus e julgamentos, iremos reduzir os altos números de sexo sem segurança e gravidez na adolescência na adolescência." Desenvolvendo a identidade sexual O primeiro contato que temos com a sexualidade, de acordo com Cláudia Bonfim, doutora em Educação e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sexualidade do Ministério da Educação e autora do livro Educação Sexual e Formação de Professores: da Educação Sexual que Temos à que Queremos, é durante a amamentação. "A sexualidade nos é apresentada de maneira não verbal: pelo toque dos pais, pelo modo como a mãe amamenta, como o bebê é embalado no colo, como o olham, se o amam etc.", explica a educadora. "Ou seja, a educação sexual nessa fase se dá especialmente por meio dos comportamentos e experiências afetivas-sexuais que o bebê vivencia através da sexualidade dos pais e do meio em que ele vive." As crianças começam a sentir curiosidade pelo próprio corpo desde cedo Getty Images A descoberta do próprio corpo se dá após os 18 meses de idade, quando a criança vivencia a fase anal, que vai até os três anos e meio. "A fase anal trata de um momento em que a criança começa a obter controle dos esfíncteres anais e da bexiga, controlando a micção e a evacuação. Aprender a ter o controle das suas necessidades fisiológicas significa uma nova forma de prazer e gratificação, inclusive pela atenção que lhes é dedicada e dos elogios que recebe quando passam a ir sozinhas no banheiro", explica Bonfim. É nesse momento que a criança descobre que tem um órgão sexual, pois é quando começa a manipular estes órgãos, principalmente quando vai ao banheiro. Por isso, a fase anal pode marcar muito a sexualidade da criança, principalmente nos meninos, por terem o órgão sexual externo. "É importante que os pais a ajudem a criança a reconhecer o corpo nesta fase com naturalidade, sem reprimir suas atitudes, pois o caráter da criança nessa etapa é de reconhecimento corporal, e não erótico", orienta e educadora. Bouer explica que também é nessa fase que surgem as dúvidas dos pais sobre como agir diante de comportamentos dos filhos com o próprio corpo. "Atendo mães que costumam reclamar que o filho fica com a mão no pênis o dia todo. A maior aflição delas é não saber como agir: deveriam conversar com o filho ou fingir que não estão vendo? Eu defendo que deve haver uma conversa com a criança de maneira natural e nunca ignorar o comportamento", defende o médico. Nathália vivenciou essa fase com Enrico - sua primeira reação foi pedir orientação ao médico do menino. "Estávamos na sala e o Enrico passou por cima de um brinquedo enquanto engatinhava. Ele tinha pouco mais de um ano. Sentiu alguma coisa ali e voltou, num movimento repetitivo. Relatamos ao pediatra e fomos orientados a não tratarmos aquilo como tabu, nem dar a ele a impressão de que masturbação era errado ou proibido", conta a mãe. A solução encontrada pela empresária e pelo marido foi tentar distrair Enrico da ação, propondo uma atividade que desviasse a atenção do órgão sexual. "Depois, com ele maior, explicamos que tocar no próprio pênis é gostoso, não tem problema, mas que não é legal fazer na frente das pessoas por ser um momento privado dele com o corpo dele", relata ela. Quando conversar "Em um primeiro momento, cabe aos pais ajudar a criança a construir sua sexualidade de maneira positiva", afirma Bonfim. Mas o que e quando conversar? Para o doutor Bouer, a curiosidade de cada criança deve ser o termômetro dos pais para saber sobre o que e quando falar. "As curiosidades sobre o corpo são naturais desde muito cedo, e os pais devem sempre responder as perguntas, mas não acho que nessa fase seja necessário dar uma aula para abordar o tema", explica o médico. "Os pais devem ficar atentos às curiosidades que forem surgindo e sempre explicar dentro da capacidade da criança de entender aquela conversa", completa. Os pais também devem considerar que cada criança tem uma personalidade e entender o tempo de cada uma de descobrir o mundo a sua volta. Enrico começou a demonstrar curiosidade desde muito cedo Arquivo Pessoal "Tem crianças mais curiosas, que perguntam sobre tudo; tem as mais tímidas, que provavelmente terão medo de tocar no assunto. De maneira geral, a criança que convive com outras mais velhas que ela começará a perceber seu corpo e o corpo do outro mais cedo que crianças que convivem somente com adultos", explica o doutor. Independente de cada caso, para Bouer, o ideal é que conversas sobre sexualidade comecem antes dos dez anos, tanto em casa como na escola. Assim, quando chegarem na adolescência, questões mais complexas, como virgindade, sexo seguro, gravidez etc., serão tratadas com atenção e naturalidade pelo adolescente. "Se as conversas sobre sexualidade não ocorreram até os dez anos, os pais não deverão escolher estratégias muito invasivas para introduzir conversas sobre sexualidade quando os filhos se tornarem adolescentes, uma vez que eles não foram naturalizados com esse tema na infância", afirma o médico. Aposentar a cegonha Muitos pais se questionam se podem ficar nus na frente dos filhos pequenos e se podem tomar banho juntos. Para Bonfim, a dica é entender que a maneira como os pais lidam com o corpo refletirá no modo como a criança e o adolescente lidarão com o próprio corpo e o do outro. "Se os pais sempre tomam banho junto com a criança, geralmente esta fase é bem mais tranquila, pois essas diferenças corporais foram sendo internalizadas com naturalidade, sem a curiosidade de tirar a roupa do outro para ver como é, por exemplo", explica a educadora sexual. Nathália conta que ela e o marido sempre tomaram banho com Enrico, e que a primeira pergunta dele sobre sexualidade foi durante um deles. "Primeiro ele percebeu que eu era diferente dele e não tinha pênis. Depois, me perguntou: 'Cadê seu pipi, mamãe?'", lembra a empresária. E como responder tal pergunta a uma criança? Segundo doutor Bouer, muitos pais e até professores recorrem a metáforas para explicar temas sobre sexualidade, mas nem sempre essa é uma boa estratégia. "Se a metáfora ajudar a criança a entender o que está sendo falado, sem gerar mais dúvidas na cabeça dela, é válido. Porém, não vale usar uma metáfora para inventar uma situação que não existe no mundo real, como a história da cegonha que trouxe o bebê", adverte o médico". "Precisamos enterrar a história da cegonha." A mãe de Enrico conta que tenta simplificar as palavras para explicar de um modo que o filho entenda, dentro do contexto da idade e da experiência de mundo que o menino tem. "O que nunca fizemos foi contar estórias de cegonha, repolho, ou coisas do tipo. Também somos objetivos: explicamos pontualmente o que satisfaz a curiosidade dele e não avançamos", conta a mãe. "Já aconteceu de uma mãe grávida de uma amiguinha de classe do Enrico tentar explicar para eles que o bebê na barriga dela era uma 'pérola' que o papai plantou com um beijo e o Enrico dizer: 'Não é não, tia. O papai planta a sementinha com o 'pipi'." É mais difícil conversar com adolescentes sobre sexo se o assunto não foi tratado com naturalidade na infância Getty Images Não diferenciar objetos, cores e comportamentos "permitidos" para meninos e meninas, como forçar as meninas a cruzar as pernas quando sentam ou estimular os meninos a serem agressivos nas brincadeiras, por exemplo, também faz parte de uma educação sexual saudável física e emocionalmente. "Não ter preconceitos e tabus sexuais começa dentro de casa e na infância. Os pais não devem fazer distinção quanto à utilização de cores e brinquedos entre meninos e meninas. É provado que estes objetos e cores não determinam nossa sexualidade, mas podem interferir na maneira como vemos e respeitamos o sexo oposto e o diferente de nós", afirma Bonfim. "O maior problema da ideia da fragilidade feminina e da mulher como um ser mais sensível e do homem como um ser que deve reprimir seus sentimentos e ser forte é que geramos mulheres fragilizadas e submissas e homens insensíveis, brutos e com dificuldades de demonstrar seu afeto", completa a educadora. O mais importante de uma educação sexual consciente para crianças é ensinar o que é amar, se relacionar, o que é afeto e privacidade, assim como identificar o que é abuso. Ou seja, a reconhecer, respeitar e defender o próprio corpo e o corpo do outro. "Por meio da educação sexual, é possível ensinar a criança a não deixar que nenhuma outra pessoa tire sua roupa, toque em seu corpo e em suas partes íntimas. Também deve-se orientar desde pequeno que, caso essas situações ocorram, ela nunca deve ter vergonha e escondê-las, devem comunicar imediatamente os pais", alerta Bonfim. "Isso é fundamental para que a criança possa prevenir um abuso ou violência sexual, pois ela saberá diferenciar carinho, afeto, privacidade, de abuso e violência."


Enfiou o pé na jaca no carnaval? Veja as dicas do Bem Estar
Quarta feira, 14 Fevereiro 2018 12:28:43 -0000

Qual é o melhor método para voltar 100% para a rotina? Para tirar as dúvidas, o Bem Estar para o programa desta quarta (14) a nutricionista Lara Natacci e a clínica geral Dulce Brito. Bem Estar - Edição de quarta-feira, 14/02/2018 Quarta-feira de Cinzas é o dia oficial do pé na jaca. Carnaval acabou e todo mundo se prepara para voltar a vida real. Você sabia que 90% das pessoas que beberam cinco doses ou mais vão ter ressaca no dia seguinte? Qual é o melhor método para voltar 100% para a rotina? Para tirar as dúvidas, o Bem Estar para o programa desta quarta (14) a nutricionista Lara Natacci e a clínica geral Dulce Brito. Algumas vitaminas precisam ser repostas quando há abuso de álcool, como complexo B, vitaminas A e C e alguns minerais. Aposte nas folhas verdes escuras, ovos, leite, frutas cítricas, legumes. Também abuse dos líquidos para se reidratar, pois o álcool é diurético e ajuda a eliminar mais água do corpo. Como cortar a jaca Pé de jaca? A jaca é uma fruta que tem sido bastante usada na culinária vegana. Além de fibras e outros compostos bioativos, ela apresenta quantidades significantes de carotenoides – que tem ação antioxidante, bom para a saúde da pele e da visão – e também compostos denominados lectinas, que tem ação fungicida, antimicrobiana e inseticida, além de compostos fenólicos, que ajudam na proteção da membrana celular. Veja algumas receitas com jaca desenvolvidas por Daniela Lisboa: Panna cotta com calda de jaca e limão Para a Panna Cotta 15g de gelatina em pó incolor 500 ml de creme de leite fresco 50 g de açúcar ¼ de unidade de fava de baunilha Raspas de limão siciliano e taiti a gosto Hidrate a gelatina em água conforme instruções do fabricante. Aqueça o creme de leite com o açúcar, a baunilha e as raspas de limão até que o açúcar esteja bem diluído. Quando levantar fervura, desligue, acrescente a gelatina e mexa até que se dilua completamente. Coloque em recipientes umedecidos com um pouco de água e leve à geladeira por pelo menos três horas, ou até que esteja firme. Para a calda ¼ de jaca dura 1 e ½ xícara de açúcar 2 xícaras de água 4 colheres de sopa de suco de limão siciliano e raspas Abra a jaca, separe os gomos e retire as sementes. Coloque o açúcar em uma panela e mexa sem parar até que o açúcar fique com uma cor dourada. Abaixe o fogo, acrescente com cuidado 2 xícaras de água e misture até o açúcar dissolver completamente. Adicione a jaca e cozinhe, mexendo de vez em quando, até que fique macia e com a calda encorpada. Desligue o fogo, acrescente o suco de limão e as raspas, espere esfriar. Montagem: Para desenformar a Panna Cotta mergulhe rapidamente as forminhas em água quente se necessário e sirva com a calda por cima. Coxinha de jaca, geleia de jaca, sanduíche de jaca... Veja o que dá para fazer com a fruta! Mariana Garcia/G1 Doce de jaca com queijo 500 g de polpa de jaca dura madura e sem os caroços 500 g de açúcar cristal 300 ml de água Abra a jaca, separe os gomos e retire as sementes. Bata os gomos com água no liquidificador e despeje em uma panela, junte o açúcar e leve ao fogo baixo, mexendo sempre até que desgrude do fundo da panela e as bordas estejam esbranquiçadas (cristalização). Despeje no mármore ou superfície gelada e espalhe, corte os docinhos ainda mornos. Sirva com uma fatia de queijo. Sanduíche de jaca desfiada com picles de vegetais 2 xícaras de jaca verde desfiada 2 colheres de sopa de azeite 1 cebola média fatiada 3 dentes de alho espremidos Sal a gosto Pimenta do reino a gosto Pimenta calabresa a gosto 1 colher de chá de molho inglês 1 colher de sopa de cominho Pimenta chili em pó 2 xícaras de caldo de legumes ou água ½ xícara de extrato de tomate Pré-aqueça o forno a 180ºC. Prepare a jaca: cozinhe ela inteira até que esteja macia, ou corte com uma faca untada com óleo em pedaços e coloque na panela de pressão por 15 minutos ou até que esteja bem macia. Separe as sementes e desfie o restante. Em uma panela refogue com azeite a cebola e o alho, adicione a jaca e os temperos, adicione o caldo de legumes e deixe ferver. Reduza o fogo e tampe a panela, cozinhe até que o liquido seja absorvido. Espalhe a jaca sobre uma assadeira, adicione o extrato de tomate e asse até que não tenha mais líquido e a cor esteja bem dourada. Sirva com pães, picles ou o que mais te agradar. Aprenda a fazer a coxinha de jaca Coxinha de jaca Para o recheio 4 xícaras de jaca verde desfiada 2 dentes de alho picadinho ½ cebola picadinho 1 tomate picadinho 4 colheres de sopa de azeite Sal marinho a gosto Pimenta do reino moída na hora Salsinha e cebolinha picada a gosto Refogue a cebola o alho e o tomate em uma panela com azeite até que fiquem bem douradinhos, acrescente a jaca, tempere bem e mexa até que fiquem douradinhos e bem sequinhos. Reserve Para a massa 3 xícaras de chá de farinha de trigo 3 e ½ xícaras de chá de caldo de legumes natural 6 colheres de sopa de óleo de girassol 1 colher de chá de cúrcuma em pó Sal e pimenta do reino a gosto Farinha de rosca para untar Óleo para fritar Em uma panela adicione água, cúrcuma, sal, pimenta e óleo e mexa bem. Leve ao fogo até que levante fervura, abaixe o fogo e adicione toda a farinha de trigo de uma só vez, mexa vigorosamente até que se forme uma bola e solte do fundo da panela. Retire a massa e sove até obter uma massa lisa. Modele as coxinhas com a massa ainda morna, passe-as na água e na farinha de rosca. Depois é só fritar. Vinagrete de semente de jaca 2 xícaras de chá de semente de jaca cozida em água e sal 1 tomate sem pele e sem sementes 1 cebola roxa pequena picadinha 3 colheres de sopa de vinagre ou suco de limão 6 colheres de sopa de azeite ou óleo vegetal 4 colheres de sopa de coentro ou salsinha picada Sal e pimenta do reino a gosto Misture em um bowl todos os ingredientes, ajuste o tempero e sirva gelado. Guisado de jaca com purê de mandioquinha e castanhas Para o guisado Miolo de uma jaca verde já cozido 1 colher de sopa de azeite ¼ de xícara de cenoura em cubos pequenos ¼ de xícara de salsão em cubos pequenos ½ xícara de cebola em cubos pequenos 2 colheres de sopa de vinho tinto (opcional) 1 litro de caldo de legumes natural Louro, alho inteiro e pimenta do reino moída na hora a gosto Para a gremolata Raspas de limão siciliano e taiti Alecrim Salsinha Sálvia 1 dente de alho pequeno Sele o miolo de jaca inteiro ou em pedaços até que todos os lados estejam dourados, retire da panela e refogue com azeite a cebola, a cenoura e o salsão até que fiquem bem douradinhos. Acrescente o vinho e raspe com uma colher o fundo da panela, coloque o palmito novamente, acrescente o caldo de legumes até ¼ da altura da jaca, adicione o louro, pimenta, alho inteiro e sal e deixe cozinhar até a jaca ficar macia. Para servir reduza o molho até a consistência desejada. Para a gremolata pique finamente o limão, as ervas e o alho, todos juntos e sirva por cima da jaca. Para o purê de mandioquinha ½ quilo de mandioquinha ¼ xícara de leite 1 colher de sopa de manteiga Sal a gosto Castanhas tostadas picadas grosseiramente Cozinhe as mandioquinhas até que fiquem macias, escorra e passe pelo espremedor de batatas ainda quentes. Em uma panela acrescente a manteiga, o sal e o leite. Aqueça em fogo médio até borbulhar, desligue o fogo e vá incorporando a mandioquinha mexendo vigorosamente. Sirva com castanhas tostadas. Exame oftalmológico pode indicar doenças


Acidentes de carros fatais aumentam após 16h20 no ‘dia da maconha’ nos EUA, diz estudo 
Quarta feira, 14 Fevereiro 2018 11:52:45 -0000

Horário e dia são mundialmente conhecidos como dia de consumo da erva; aumento de acidentes com morte foi de 12% em relação a dia comum.  Consumo da erva está associado a maior risco de colisão e menor tempo de resposta do motorista, diz pesquisa Thinkstock Pesquisa mostra aumento de 12% em acidentes de carros fatais todo o dia 20 de abril após 16h20. O horário e o dia são mundialmente conhecidos como uma celebração ao consumo de maconha. A pesquisa foi publicada no "JAMA Internal Medicine", periódico científico da Associação Americana de Medicina. Para chegar ao dado, pesquisadores utilizaram banco de dados de tráfego nos Estados Unidos por 25 anos consecutivos (de janeiro de 1992 a dezembro de 2016). Eles observaram que há um incremento de 12% nos acidentes de carro com morte todo o dia 20 de abril entre 16h20 e 23h59, quando comparado a outros dias e outros horários. Por que 16h20? Segundo os autores, estudos anteriores já demonstraram que concentrações elevadas de THC diminuem o tempo de reação do motorista às flutuações do trânsito. O tetrahidrocanabinol (THC) é um dos principais princípios ativos da cannabis sativa e um dos responsáveis pelas alterações de percepção após o consumo da planta. Outras pesquisas também indicaram que o consumo agudo da erva aumenta o risco de colisão no trânsito. “Apesar dessa evidência, a condução após o consumo de cannabis é surpreendentemente comum”, dizem os autores do estudo. “Nós hipotetizamos que a celebração da cannabis em 20 de abril pode estar associada a um aumento no risco de envolvimento fatal do trânsito”, concluem os pesquisadores. O estudo também encontrou que o risco de acidente fatal neste dia e horário é maior em motoristas mais jovens. O risco aumentado foi comparado a outros dias de comemoração nos Estados Unidos – como o Superbowl, final do futebol americano. De acordo com os autores, o estudo serve de alerta para que campanhas de conscientização específicas para a maconha sejam colocadas em curso. A pesquisa teve como primeiro autor John A. Staples, do Hospital Saint Paul no Canadá e foi financiada pelo Instituto de Pesquisa em Saúde no Canadá.


Onde estão e de que são feitos os milhares de asteroides que povoam o Sistema Solar
Quarta feira, 14 Fevereiro 2018 09:22:19 -0000

Três cinturões concentram a maioria desses corpos; pertubações em sua órbita podem colocá-los em rota de colisão com a Terra. Concepção artística de um asteroide no cinturão de Kuiper, no limite do nosso Sistema Solar NASA No dia 19 de outubro passado, os telescópios detectaram um visitante inesperado: o primeiro asteroide interestelar de que se tem notícia a passar pelo Sistema Solar. Com um formato que lembra um charuto, com cerca de 400 metros de cumprimento e 40 de diâmetro, ele foi batizado de Oumuamua, que em língua havaiana significa "mensageiro distante que chegou primeiro". O asteroide - que deu meia volta depois de passar por dentro da órbita de Mercúrio e viaja agora em alta velocidade rumo à constelação de Pégaso - é o primeiro até agora a vir de outro sistema, mas não é o único a vaguear entre os planetas do Sistema Solar. O espaço interplanetário está cheio de todo tipo de pedras grandes, cascalho, bolas de gelo, poeira e fluxos de partículas carregadas. Tanto que em sua órbita ao redor do Sol, a 30 quilômetros por segundo, a Terra passa por centenas de toneladas de meteoros, a maioria muito pequenos para serem notados. Produzida pelo Centro Aeroespacial Alemão, essa imagem do asteroide Ceres combina várias fotos tiradas pela sonda da Nada Dawn, em 2015 NASA Embora sejam encontrados em todos os cantos, a maioria dos asteroides e cometas do Sistema Solar se concentram em três grandes estruturas, o cinturão de Asteroides, o cinturão de Kuiper e a nuvem de Oort. Mais antigos que a Terra A história dessas concentrações e dos objetos rochosos e de gelo que elas contêm começou com a própria formação do Sistema Solar, segundo o físico Othon Winter, da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG), da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O cientista explica que os planetas se formaram a partir de um disco de gás e pequenos corpos, denominados planetesimais, com tamanhos de centenas de metros a algumas dezenas de quilômetros, que foram crescendo por meio de colisões entre si. Alguns deles chegaram a atingir massa dez vezes a da Terra, e se tornaram os núcleos dos planetas gigantes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno). "Ao atingirem esse estágio, gravitacionalmente eles 'sugaram' enormes quantidades de gás, se transformando nos planetas gigantes gasosos", explica Winter, que é doutor em Dinâmica do Sistema Solar. "O restante do gás foi então expulso do sistema pelo Sol." A maior parte dos asteroides fica em cinturões ao redor do Sol Getty Images via BBC Só depois disso começou a formação dos planetas rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte). "Ela se deu por meio de colisões entre objetos remanescentes (planetesimais e maiores, chamados embriões, que tinham massa similar à da Lua), que se localizavam, na sua maioria, interiores à órbita de Júpiter", diz Winter. "Então, os pequenos corpos que existem atualmente foram formados nos estágios iniciais do Sistema Solar", explica o pesquisador da Unesp. Desses, os que possuem maior parcela de componentes voláteis são aqueles que se formaram mais distantes do Sol. "Assim, de um modo geral, os separamos em asteroides e cometas", diz. "Os asteroides se localizam em órbitas mais próximas da nossa estrela e são majoritariamente formados por componentes refratários, como silicatos e metais. Os cometas têm órbitas mais distantes (bem excêntricas) e são, em sua maioria, compostos de materiais voláteis, principalmente água - na forma de gelo." Assim, a estrutura mais próxima de nós, o cinturão de Asteroides, situada entre as órbitas de Marte e Júpiter, concentra o tipo de corpo que seu nome indica. Trata-se de uma zona grosseiramente plana, que circunda o Sol e as órbitas dos planetas Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. É a principal estrutura das três, com cerca de 600 mil objetos rochosos conhecidos, mas cuja massa total é igual a apenas cerca de 5% a da Lua, que por sua vez tem pouco mais de 1% da da Terra. O maior de todos é Ceres, com 946 km de diâmetro, classificado como o único planeta-anão - a mesma classificação de Plutão - do cinturão. Depois vem Palas (544 km) e Hígia (407 km). Há ainda Vesta (530 km), promovido em 2012 a protoplaneta, que é um planeta em formação. No seu caso, porém, o processo foi interrompido. Vesta e Ceres foram visitados recentemente pela sonda Dawn, da Nasa. Depois de Netuno Logo após a órbita de Netuno está o cinturão de Kuiper. Ela começa a 30 unidades astronômicas (UA) da Terra e ocupa todo o espaço até uma distância de 100 UAs - uma UA é igual a distância média entre a Terra e o Sol, que é de 150 milhões de quilômetros. O cinturão de Kuiper deve seu nome ao astrônomo americano de origem holandesa Gerard Kuiper, que em 1951 propôs a ideia de que na vastidão gelada, além da órbita de Netuno, havia restos congelados da formação do Sistema Solar. Descobertas posteriores demonstraram que ele estava certo. Hoje se sabe que há por lá milhões de corpos congelados, dos quais apenas pouco mais de 2 mil são conhecidos. Entre eles estão quatro planetas anões: Plutão (2.376 km de diâmetro), Éris (2.326 km), Makemake (1.600 km) e Haumea (1.632 km). Há ainda Sedna, provavelmente um planeta anão, mas ainda não classificado assim pela União Astronômica Internacional, e Caronte (1.208 km), a lua de Plutão. Bem mais distante, entre 2 mil e 100 mil UA - quase um ano-luz ou cerca de um quarto da distância da estrela mais próxima do Sol, Próxima Centauri - está a nuvem de Oort, da qual até hoje ainda não foi feita nenhuma observação direta. Seu nome é uma homenagem ao astrofísico holandês Jan Oort, que foi o primeiro a deduzir sua existência. Ela teria um formato esférico, envolvendo todo o Sistema Solar, com sua parte mais externa marcando o limite final da influência gravitacional do Sol. Estima-se que lá haja bilhões ou até trilhões de corpos, a grande maioria ainda desconhecidos. O risco Alguns dos objetos dessas três estruturas podem apresentar perigo para a vida na Terra. Perturbações nas órbitas de alguns deles no passado fizeram com que "caíssem" para o interior Sistema Solar, passando a ter órbitas excêntricas e cruzando perto ou em rota de colisão com o planeta. "A probabilidade de queda de corpos de cerca 100 m de diâmetro, que podem causar grandes danos em áreas povoadas, é em média uma vez a cada 2,5 mil", diz o astrônomo Jorge Carvano, do Observatório Nacional brasileiro. Nave Dawn orbitou o asteroide Ceres e registrou informações NASA As chances de objetos maiores colidirem com a Terra é bem menor. "Colisões com corpos na faixa de 1 km de diâmetro, capazes de causar efeitos globais parecem acontecer uma vez a cada 500 mil anos", acrescenta Carvano. "Enquanto que eventos que podem estar associados a extinções em massa, causados por objetos de cerca de 10 km, só acontecem em escalas de dezenas de milhões de anos." Foi um desses, que ninguém sabe de onde veio, que há 65 milhões de anos, se chocou com o planeta na região da Península de Iucatã, no México, abrindo uma cratera de 180 km de diâmetro e levando à extinção dos dinossauros e várias outras espécies de animais que viviam na época. Há outros astros que passam perto da Terra, dos quais se sabe a origem. O mais famoso dos cometas, o Halley, por exemplo, vem do cinturão de Kuiper e visita o nosso planeta a cada 76 anos. Da nuvem de Oort, passaram nos anos 1990 os cometas Hale-Bopp e Hiakutake - por ela ser esférica, os cometas podem vir de lá em qualquer ângulo ou direção. Por isso, estudar e conhecer os cinturões e a nuvem de Oort não é mero passatempo ou curiosidade científica. "Do ponto de vista prático, temos que conhecê-los para nos prevenir dos efeitos de uma possível colisão catastrófica com a Terra", diz o físico Sylvio Ferraz Mello, especialista em dinâmica do Sistema Solar e sistemas planetários extra-solares e professor emérito e ex-diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). "Do ponto de vista teórico, eles fornecem muitas informações sobre a formação da Terra e dos demais planetas."


O que é a síndrome de Hashimoto, doença no centro do debate sobre o peso da modelo Gigi Hadid
Terca feira, 13 Fevereiro 2018 21:34:20 -0000

Doença é causada por uma reação do sistema imunológico à glândula da tireoide. Como resultado, pode gerar hipotireoidismo, geralmente acompanhado de aumento de peso, cansaço e pele ressecada. Gigi Hadid trata a síndrome de Hashimoto, uma reação do sistema imunológico contra a glândula da tireoide Mary Altaffer/AP Photo A supermodelo americana Gigi Hadid, de 22 anos, respondeu pelo Twitter às críticas que recebeu por estar muito magra. Em uma série de posts, ela revelou que seu baixo peso se deve a um tratamento contra a síndrome de Hashimoto. Antes, a modelo já tinha sido criticada por estar "muito gorda" - um dos sintomas da síndrome é aumento de peso. "Quando eu comecei (a trabalhar) aos 17 anos, eu ainda não tinha sido diagnosticada com a síndrome de Hashimoto. Aqueles que falavam que eu era 'muito gorda para ser modelo' estavam vendo na verdade (o resultado de) inflamação e retenção de líquido", escreveu a modelo. "Ao longo dos anos, eu fui medicada para reduzir os sintomas. Não apenas esses (ganho de peso devido inflamação e retenção de líquido), mas também cansaço extremo, questões de metabolismo, capacidade de lidar com calor, etc". "Eu posso estar muito magra para você. E honestamente, essa magreza não é como eu gostaria de estar. Mas eu me sinto mais saudável internamente e continuo aprendendo com o meu corpo a cada dia", desabafou Hadid. A tireoidite crônica, também conhecida como síndrome de Hashimoto, é uma doença causada por uma reação do sistema imunológico à glândula da tireoide. Ou seja, o organismo produz anticorpos que atacam a tireoide. Como resultado, pode ocorrer uma diminuição da função da glândula, o chamado hipotireoidismo, muitas vezes acompanhado de aumento de peso, cansaço, pele ressecada e unhas quebradiças. A doença afeta o corpo de maneira gradual. Geralmente, seus primeiros sintomas são fadiga e dificuldade para se concentrar - o que se pode se confundir com estresse. Ao longo de tempo, pode haver uma deterioração generalizada do quadro físico, surpreendendo os pacientes. Podem ocorrer, inclusive, problemas emocionais. A síndrome pode se manifestar em qualquer momento da vida, mas aparece com maior frequência em mulheres na meia-idade. O diagnóstico pode levar meses - ou até anos. Não há cura, mas pode ser controlada com uso de medicamentos, como ocorre com Hadid. Sintomas vão de ganho de peso a ansiedade Rachel Hill, jovem britânica de 23 anos, tem a mesma doença de Gigi Hadid. Ela conta que os primeiros sintomas apareceram quando tinha 16 anos. "Fui diagnosticada só quando tinha 21 anos. Sempre me sentia cansada, comecei a ter acne, menstruação irregular, dor muscular e espasmos durante a noite", conta. "Eu costumava ser muito impulsiva e fazer tudo o que eu queria. Especialmente quando era adolescente. Mas agora preciso administrar meus níveis de energia", conta. Para Hill, a síndrome de Hashimoto acabou desencadeando questões emocionais. Desde pequena, ela sentia ansiedade, que evoluiu para um quadro de depressão. "É como ter uma gripe muito forte. Tudo dói, você se sente fraca e o seu cérebro fica no meio de uma grande nebulosa. É difícil encontrar as palavras corretas ou recordar o que você estava fazendo". Hill diz que está contente que Gigi Hadid tenha contribuído para o debate sobre a síndrome de Hashimoto. "Não deveríamos julgar as pessoas pela sua aparência, seu subir ou baixar de peso".


'Ela tem tanta dor que só quer morrer': a jovem de 19 que pede eutanásia e causa polêmica no Chile
Terca feira, 13 Fevereiro 2018 20:24:04 -0000

Paula Díaz despertou comoção nas redes sociais com vídeos em que pede à presidente Michelle Bachelet que lhe permita uma morte digna. No entanto, faltam informações sobre a doença e um dos diagnósticos atribui os sintomas a um transtorno psiquiátrico. Os sintomas começaram em 2013 e têm piorado desde então Reprodução/Twitter/DescansoParaPau Paula Díaz tem 19 anos e quer morrer. A jovem chilena, que nasceu na cidade de Talca, ao sul da capital, Santiago, sofre desde o fim de 2013 de um mal raro que, até agora, não foi diagnosticado de forma conclusiva pelos médicos de seu país. Sua família afirma que, no decorrer dos últimos quatro anos e de forma cada vez mais intensa, Paula faz movimentos involuntários, tem episódios de perda da consciência, paralisia das extremidades e uma dor que a jovem define como "insuportável". Um vídeo compartilhado pela mãe e pela irmã de Paula no início de fevereiro nas redes sociais mexeu com Chile e ultrapassou as fronteiras do país. Initial plugin text Nele, a jovem pede de forma desesperada à presidente Michelle Bachelet que autorize sua eutanásia - proibida no país -, porque não suporta mais a dor e não aguenta mais viver. "É algo tão terrível que não consigo descansar. Nem de dia, nem à noite (...). Já não suporto meu corpo. Ele está despedaçado. Não consigo apoiar qualquer parte dele sem sentir dor. Como não conseguem entender que já não aguento mais?", diz em sua mensagem à presidente. Também há imagens da jovem aparentemente antes de apresentar os sintomas e outras em que está se contorcendo na cama, com as extremidades tensionadas, muitas vezes na maca do hospital, com o semblante aflito. Em poucos dias, os vídeos viralizaram, atingindo mais de 1 milhão de visualizações, dividindo opiniões e reacendendo o debate sobre eutanásia no país. Em 2014, um caso semelhante, de uma menina que pedia a Bachelet permissão para morrer, já havia mexido com a opinião pública. O tema voltou aos meios de comunicação chilenos e à agenda de alguns políticos, que têm usado o caso para rediscutir a legalização do suicídio assistido no país. O caso de Paula, contudo, é bastante diferente do episódio de 2014. A ausência de informações claras sobre seu problema de saúde, a ausência de um diagnóstico conclusivo e um laudo médico que lhe atribui um transtorno psiquiátrico, que seria o responsável pelos sintomas que Paula alega sentir, fizeram com que a polêmica que cerca a discussão sobre eutanásia no Chile ganhasse novas camadas. Primeiros sintomas Vanessa Díaz, irmã de Paula, diz à BBC Mundo que tudo começou no fim de 2013, quando a jovem foi hospitalizada com sintomas que os médicos associaram à coqueluche. "Nossa família relaciona (os acontecimentos subsequentes) ao fato de que Paula, pouco antes de ser hospitalizada naquele ano, recebeu a vacina tríplice, que protege contra três doenças (tétano, difteria e coqueluche) - e foi hospitalizada pela primeira vez justamente por uma suposta coqueluche", argumenta Vanessa. Familiares - e alguns médicos, ainda que nenhum tenha se manifestado oficialmente por escrito - acreditam que um vírus presente na vacina se alojou na medula de Paula e é responsável por sua condição atual. Assim, a acusação por si só tem gerado repercussão no Chile, país onde a imunização é obrigatória. O médico Miguel Kottow, chefe da Unidade de Bioética da Escola de Saúde Pública da Universidade do Chile, afirma que não há antecedentes de qualquer caso parecido no país e considera a acusação delicada. "É um tema muito grave, já que qualquer decisão que se tome nesse caso também coloca em evidência o tema da imunização obrigatória", pondera. De acordo com a irmã de Paula, depois da vacina e da primeira hospitalização, a situação da jovem piorou. "A partir daí, ela começou a apresentar uma série de sintomas que não tinham ligação com a coqueluche. Foi hospitalizada diversas vezes, ficou internada em muitas clínicas e começou a perder a mobilidade das pernas, dos braços, a sensibilidade em algumas partes do corpo e a sentir muita dor", afirma. Desde então, acrescenta Vanessa, Paula já foi avaliada por dezenas de especialistas, sem que eles tenham encontrado uma causa para o que ela diz sentir. "O último diagnóstico foi em 2015, que dizia que ela tinha um problema neurológico que também era degenerativo, mas nunca nos disseram que ele era sintoma de uma determinada doença ou o que ele provocava", afirma. Segundo o jornal chileno El Mostrador, nos prontuários das diferentes clínicas pelas quais a jovem passou desde 2013 são encontrados diagnósticos que vão de bronquite obstrutiva, pneumonia e edema de laringe a transtorno depressivo maior, perda auditiva, escoliose, ataxia (perda de coordenação muscular), síndrome da conversão (transtorno mental que causa reações neurológicas sem uma causa aparente) e encefalite. A variedade de diagnósticos é uma das razões que levam a família a acreditar que Paula foi vítima de descaso dos médicos. "Queremos justiça para minha irmã, porque sabemos que houve negligência. Exigimos que se abra uma investigação para saber o que aconteceu com ela, uma jovem completamente saudável e que agora se encontra em situação deplorável, que pode morrer. Queremos saber o que causou o dano cerebral", diz Vanessa. Até o momento, contudo, a família não apresentou laudo médico que atribui os sintomas a um problema neurológico degenerativo - e a clínica onde aparentemente o diagnóstico foi realizado proibiu, para preservar a privacidade dos pacientes, a divulgação de detalhes do tratamento de quem passou por ali. Por isso, de acordo com o médico Kottow, um dos dilemas éticos do caso é o fato de que as informações que o municiam são muito "vagas e precárias". "Até agora, o que temos é o que diz a família - o que estão dizendo, não comprovando. Não sabemos de fato o que aconteceu durante os diversos atendimentos médicos, se houve negligência ou não, se houve desentendimento da família com o tratamento indicado, se houve de fato esse diagnóstico ou a que conclusões chegaram os especialistas. São fatores que devemos levar em conta antes de debater se a assistência médica funcionou ou não", argumenta. Os dilemas do diagnóstico As incertezas em relação ao diagnóstico de dano cerebral crescem quando se leva em conta um outro laudo médico sobre a jovem emitido por um renomado hospital chileno. "Em sua terceira hospitalização, na Clínica Bicentenario, submeteram-na a uma série de exames e chegaram à conclusão de que não havia nenhum dano neurológico. Nos disseram que minha irmã tinha síndrome da conversão e que ela estava causando a si mesma os sintomas", comenta Vanessa. A síndrome da conversão é uma rara doença psiquiátrica que gera sintomas que se assemelham aos de uma doença neurológica. Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, uma das principais dificuldades para o tratamento desse transtorno é o fato de que, muitas vezes, ele não é reconhecido nem pelos paciente nem por seus familiares - o que pode levar a isolamento social, atraso escolar nos mais novos e, em alguns casos, complicações como prostrações e contraturas. Após o diagnóstico de Paula, o hospital sugeriu transferir a jovem para uma clínica psiquiátrica para fazer tratamento, recomendação que a família rechaçou por não concordar com a opinião dos médicos. "Conhecemos minha irmã, era uma menina saudável que não tinha nenhum problema, nós sabemos que não é um problema psiquiátrico", alega Vanessa. Desde 2015, a família se nega a submeter Paula a novos exames e decidiu apoiá-la em sua decisão de tentar a eutanásia. "Estamos respeitando a vontade de Paula, não queremos que ela continue sendo obrigada a passar pelas hospitalizações. Como ela é uma paciente supostamente psiquiátrica, em muitos momentos questionam o que ela sente, tratam-na como louca ou como alguém que está fora de si - e ela não quer mais passar por isso", ressalta a irmã. "Ela já está há mais de quatro anos prostrada em uma cama, confinada entre quatro paredes, já que não pode nem sentar em uma cadeira de rodas para se movimentar pela casa. Não é certo viver assim, vendo que seu corpo falha cada dia um pouco mais. Ela tem tanta dor que só quer morrer." Vanessa acrescenta que a situação de Paula tem impacto sobre toda a família - e que a mãe se viu obrigada a abandonar o trabalho e que agora tem dificuldade em pagar as contas. "Minha irmã enviou uma carta à presidente no fim de 2017, mas não tivemos resposta. Minha mãe então pediu ajuda a um senador, que leu a carta no Congresso, mas mesmo assim não tivemos muito retorno - apenas a notícia de que receberíamos uma pensão mensal", acrescenta. O debate da eutanásia Mesmo com suas incertezas, o caso reativou o debate sobre eutanásia no Chile, pouco tempo depois da legalização do aborto - apenas em casos de estupro, de risco de vida da mulher e de inviabilidade fetal - e em meios às discussões sobre a reinstalação da pena de morte no país. O deputado do Partido Liberal Vlado Mirosevic é um dos que têm levantado a bandeira da legalização do suicídio assistido no país - e o caso da jovem foi um dos exemplos que ele utilizou recentemente no Congresso para reforçar a necessidade de discussão do tema. "O ponto aqui é respeitar o direito que Paula ou qualquer um de nós tem de uma morte com dignidade. Isso é primeiramente um direito. Assim, se deve colocar a decisão do indivíduo à frente daquela da sociedade", destaca à BBC Mundo. "Ao mesmo tempo, esse é um tema humanitário, de compaixão, de se colocar no lugar do outro. Sob esse aspecto, a decisão sobre a eutanásia deve ser pessoal, e não determinada por uma lei de maneira uniforme e autoritária que não deixe espaço para uma morte digna", acrescenta - reconhecendo, contudo, que não tinha até então ciência do diagnóstico psiquiátrico da jovem. Initial plugin text Kottow, mesmo considerando que o debate sobre a eutanásia no Chile e sua legalização não são apenas "pertinentes, mas necessários", rejeita a ideia de que o caso da Paula deva servir como exemplo, como está acontecendo agora. "Nesses casos, estaríamos falando de eutanásia médica, quer dizer, executada por um médico. Se não há diagnóstico, como ocorre com essa jovem, derruba-se todo o caso", argumenta. "Antes de pensar em uma solução extrema - que não é possível porque não é válida por lei e porque a presidente não tem autoridade para permiti-la -, era preciso primeiramente determinar o que ela tem de fato, se é algo tratável, se tem prognóstico negativo, e em que bases se está fundamentando o pedido de eutanásia", ressalta. Também membro da Sociedade Chilena de Bioética, ele afirma que seria "um mau precedente" abrir caminho para o suicídio assistido com esse caso, dada a quantidade de incógnitas e dificuldade de acesso a informações em torno da situação de Paula. "Até agora, a única informação que temos são alguns vídeos nas redes sociais. Mas isso não informa muito sobre a condição real da jovem. Com base em um vídeo e na opinião da família não se pode chegar a nenhuma conlusão, mesmo que seja somente ética, sem força legal. Este é um caso que devemos analisar para além da boa vontade e da compaixão", defende.


Fonte:  G1 > Ciência e Saúde